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Novo diretor fala sobre desafios do CBPF
20/12/2011 - 16:33
Tomou posse nesta segunda-feira (19) como diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCTI) o físico Fernando Lázaro Freire Júnior. Participaram da cerimônia o secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luiz Rodrigues Elias, representando o ministro Aloizio Mercadante, e o subsecretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa do MCTI, Arquimedes Ciloni.

Selecionado por um comitê de especialistas, o novo diretor do CBPF foi indicado pelo ministro com base em uma lista tríplice de candidatos deliberada pela instância.

Fernando Lázaro pesquisa materiais nanoestruturados à base de carbono, tais como filmes finos, nanotubos e grafeno. Fez toda sua formação e boa parte do seu percurso profissional na Física da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). É autor de cerca de 150 artigos científicos e foi premiado pela Capes-ISI em 2000 pelo trabalho de autoria exclusivamente brasileira mais citado na área de materiais na década de 1990.

Na Faperj, onde atualmente coordena a área de física e astronomia, esteve à frente do Instituto Virtual de Nanociência e Nanotecnologia. Foi ainda presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat) e coeditor da Europhysics Letters. Entrevistado pelo Portal do CBPF, Fernando Lázaro falou das suas principais metas e expectativas ao assumir este novo desafio.

Qual é a sua visão sobre o papel do CBPF no cenário científico nacional?

A minha visão é a que está expressa no Plano Diretor. A missão do CBPF nos próximos quatro anos é se consolidar como instituto nacional de física, com destaque na comunidade de física nacional e presença disseminada em redes de colaboração – como a Rede de Altas Energias [Rede Nacional de Física de Altas Energias – Renafae] e o IcraNet [Rede de Institutos de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica] – com laboratórios estratégicos regionais funcionando em regime aberto, como o Labnano [Laboratório Multiusuário de Nanociência e Nanotecnologia], e sedes regionais para atender a especificidades locais, como é o caso hoje no Pará [o CBPF tem um campus avançado integrado à Universidade Federal do Pará]. Se ao final do mandato eu tiver atingido a meta de ampliar a presença do CBPF no cenário nacional, acho que terei cumprido a sua missão maior nesses próximos quatro anos.

Há posições que estão consolidadas. A pós-graduação do CBPF é pela segunda vez consecutiva grau 7 da Capes. Isso significa que, pelos padrões brasileiros, o programa acadêmico atingiu ponto de excelência. Há desafios menores, por exemplo, consolidar e ampliar o mestrado profissional. Mas, no geral, no que diz respeito à formação de recursos humanos e aos índices de produtividade na pesquisa, a instituição vai muito bem. Basta olharmos o quadro de pesquisadores com bolsa de produtividade do CNPq, que é a maneira de termos uma aferição externa da qualidade do CBPF. O desafio agora é manter esses indicadores e resultados, e levar essa cultura de excelência para outras regiões.

Já há alguns anos acumulando atividades acadêmicas e de gestão na PUC-Rio, como o senhor avalia esta nova experiência de trabalhar num centro de pesquisas do governo?

De fato, a experiência que eu tenho é a de gestor de uma entidade de direito privado. Não lucrativa, enfim, mas ainda assim regida pela CLT e fora do alcance da lei de licitações. Então, desse ponto de vista, administrar o CBPF é para mim algo totalmente novo, um desafio. Um outro aspecto desse desafio, no entanto, é o de ser gestor dos próprios pares. Isso obriga a ter uma conduta cuidadosa, saber ouvir os grupos, ponderar, conciliar posições. Não é como fazer gestão de pessoas numa fábrica, por exemplo, em que podem prevalecer critérios diferentes, como produção, custo e lucro. Numa instituição pública dessa natureza, e mesmo numa universidade privada, os parâmetros e instrumentos legais, como a estabilidade, por exemplo, são outros. Nesse sentido, uma entidade acadêmica privada como a PUC-Rio não é muito diferente do CBPF, a UFRJ ou da USP.

Recentemente o termo "inovação" foi incorporado como linha de ação do nosso ministério, que passou a se chamar Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Na sua visão, como uma instituição tradicionalmente voltada para a pesquisa básica, como o CBPF, pode contribuir para a inovação?

Na minha visão, inovação não é feita no centro de pesquisas. Inovação é feita na indústria, no setor de serviços, e assim por diante. Também considero que inovação não está necessariamente relacionada a um produto. A Petrobras é uma empresa inovadora - e inovadora em processo: processo de exploração, de produção de petróleo em águas profundas... Muito do que é produzido num centro de pesquisas em física pode ser aproveitado imediatamente pela Petrobras e por outras empresas. Por exemplo, o trabalho em magnetismo orientado para o desenvolvimento de sensores magnéticos para inspeção de dutos ou as pesquisas em computação de alto desempenho, ou ainda a estatística de Tsallis quando aplicada a um problema do mercado financeiro... Muitos são os exemplos que mostram que a pesquisa básica não é algo que se contrapõe à inovação. Ao contrário, muitas vezes a inovação decorre diretamente da pesquisa básica.
Leia mais. https://portal.cbpf.br/index.php?page=Noticias.VerNoticia&id=467
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