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Brasil tem instrumentos para enfrentar adversidade, afirma ministro
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Mercadante na posse de Celso Amorim no Ministério da Defesa. Crédito: Lecino Filho/Ascom do MCTI
08/08/2011 - 20:15

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Aloizio Mercadante, disse nesta segunda-feira (8) que o Brasil tem todos os instrumentos para enfrentar uma situação de adversidade. A afirmação foi feita a jornalistas ao ser questionado sobre a crise internacional, antes da cerimônia de posse do ministro da Defesa, Celso Amorim, no Palácio do Planalto.

De acordo com Mercadante, que é economista, o país foi muito prudente na sua política econômica e fiscal. Ele destacou como instrumentos favoráveis, em comparação com a crise financeira de 2008, o fato de o país ter 60% a mais de reservas cambiais do que naquela oportunidade, além do dobro de depósitos compulsórios em relação ao mesmo período.

“Portanto temos como prover a liquidez e como assegurar o fluxo cambial, que é indispensável num cenário de turbulência como esse que começamos a viver”, salientou.

Para Mercadante, o cenário atual é menos agudo que o da crise anterior, mas é considerado preocupante para os próximos meses, diante da pouca margem de manobra das grandes economias mundiais (como Estados Unidos, Japão e União Europeia), devido a baixas taxas de juros, déficit público elevado e dívida pública crescente. Por outro lado, o Brasil tem condições melhores para superar o momento de instabilidade.

“Nós temos espaço para reduzir juros, temos espaço na política fiscal e começamos a tomar medidas corajosas como foi o Brasil Maior na área de defesa do mercado [plano industrial lançado pelo governo federal na semana passada], desoneração do setor produtivo, aumento do fluxo de financiamento para os investimentos”, sustentou o ministro.

Aloizio Mercadante acredita que o Brasil está bem preparado, mas que a conjuntura é bastante delicada e precisa ser acompanhada com cuidado.

“Felizmente o Brasil antecipou o seu ajuste fiscal, foi prudente na sua política monetária. Nós temos um déficit de 1,9% do PIB [Produto Interno Bruto], o déficit público americano é de 9,1%. Então, nós temos espaço e temos instrumentos para defender os interesses do Brasil”, comparou.

Na avaliação do economista, a turbulência internacional também pode ser avaliada por outro aspecto. “Ajuda a ter uma taxa de câmbio de equilíbrio. Há uma desvalorização e isso aumenta a nossa competitividade, que é o principal problema econômico que nós temos”.

Em seu discurso de posse, Celso Amorim disse que dedicará esforços ao fortalecimento da indústria nacional de material de emprego militar e ampliação da autonomia tecnológica das Forças Armadas. Para isso, pretende atuar em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “O momento que vivemos, em termos de política industrial, reforça essa prioridade”, declarou. O ex-ministro das Relações Exteriores foi secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia entre 1987 e 1989.

Debate na Câmara

A crise econômica mundial e as políticas que o Brasil está empreendendo para manter o crescimento em ritmo sustentável são os principais temas da pauta de discussões nesta terça-feira (9), às 15h, na Câmara dos Deputados.

Além de Mercadante, participam do encontro os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

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