Comemorando os 45 anos da Sociedade Brasileira de Física (SBF), o Encontro de Física 2011 - apelidado "Encontrão" por reunir, pela primeira vez, especialistas de todas as áreas da física - começou na segunda-feira (6) e prossegue até sexta-feira (10), com programação de palestras, mesas-redondas, comunicações orais e apresentação de pôsteres.
No domingo, um workshop sobre cooperação internacional em física, organizado pela SBF em parceria com o Centro Internacional para Física Teórica (ICTP) e a Sociedade Física Argentina (AFA), antecipou o evento, colocando em pauta a necessidade de construir estratégias para a inclusão de países em consórcios para o desenvolvimento de pesquisas na área. O objetivo do evento, que reuniu representantes do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), ICTP, IOP (Institute of Phyisics, do Reino Unido) e APS (American Physical Society) e culminou com a mesa-redonda "A Call for Action", foi ajudar a estabelecer os rumos para a criação de programas internacionais de cooperação.
Na segunda (6), a cerimônia de abertura do Encontrão marcou os 45 anos de fundação da entidade com uma homenagem aos cientistas que a presidiram e foi encerrada pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.
O ministro aproveitou a ocasião para defender o programa nuclear brasileiro e enfatizar sua natureza pacífica. "Quero dizer que a SBF não estará sozinha em assegurar, no Brasil, os compromissos que estão na Constituição e em todos os tratados internacionais já firmados, pois não permitiremos qualquer iniciativa que possa romper esse compromisso de paz e de não utilização da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos", disse.
Mercadante iniciou sua apresentação dizendo-se honrado de participar do encontro 45 anos depois da fundação da Sociedade Brasileira de Física, considerada por ele uma referência fundamental, e destacou a importância de aproveitarmos a oportunidade única que o país possui hoje de investimento no desenvolvimento dos recursos humanos e no conhecimento tecnológico e científico para alcançar o nível de desenvolvimento que almeja, numa referência à exploração dos recursos petrolíferos do pré-sal.
O ministro defendeu a participação dos presentes no debate dos royalties do pré-sal e de como eles devem ser aplicados. "O maior risco é o Brasil cometer o erro de virar uma economia parasitária, produtora de commodities. O petróleo é uma energia não renovável, que as gerações futuras não vão ter; estamos antecipando aquilo que nossos netos, ou talvez nossos filhos, não poderão usufruir. O que vamos deixar para o futuro de nosso país? Uma máquina pública que vai gastar esse dinheiro sem nenhum critério na próxima década ou vamos exigir que esses royalties sejam canalizados prioritariamente para educação, ciência e tecnologia e aproveitar a janela de oportunidades para criar a base de uma sociedade do conhecimento e um país capaz de liderar os setores que são portadores de futuro, que não é o de petróleo?"
Além da programação científica, o Encontro de Física 2011 organizou um programa paralelo de atividades de divulgação científica para estudantes e professores de Ensino Médio de Foz do Iguaçu e da região trinacional, já que o encontro deste ano faz parte de uma agenda da SBF no sentido de buscar maior integração com as comunidades de Física de toda a América Latina.
As palestras plenárias serão proferidas por grandes nomes da Física mundial e, além de simpósios de temas específicos, tópicos como a infraestrutura científica, a formação pessoal e questões mais amplas do ensino da Física também serão abordados. Os eventos tradicionais da SBF na área de Plasma, Matéria Condensada, Partículas e Campos, Ensino de Física e Física Nuclear transcorrerão em paralelo durante todas as tardes.