O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT) e a Mineração Rio do Norte lançam, hoje (18), o livro “A Cultura do Barro: arte e ciência nas margens do Rio Trombetas”. O lançamento integra a programação da 9ª Semana Nacional de Museus do MPEG.
Fruto do trabalho desenvolvido com comunidades quilombolas na Região de Porto Trombetas, pelos educadores do Museu Goeldi, Luiz Videira, Alcemir Aires, e dos bolsistas Luiz Reis e Regina Cavalcante, que atuaram no Projeto Educação Ambiental e Patrimonial, o volume guarda nove anos de trabalho junto às comunidades Boa Vista, Lago Moura, Lago Batata e Aracuã, com ações de valorização da produção de objetos em cerâmica. A ação resultou no resgate e na valorização da “cultura do barro” naquelas localidades.
Pioneiro, o trabalho é reconhecido na apresentação do livro, onde a arqueóloga Vera Guapindaia, do Museu Goeldi, ressalta que o Projeto de Educação Ambiental e Patrimonial foi um dos primeiros projetos de educação ambiental voltado para a Arqueologia em território nacional.
Em “A Cultura do Barro”, os educadores descrevem esse processo de resgate, feito através de diferentes métodos, para alcançar a cada comunidade, como as oficinas de Arte e Ciência, Exposições Itinerantes, o Clube do Pesquisador Mirim, Barco da Ciência e as Noites Culturais.
O livro relata como a arte de fazer cerâmica estava morrendo naquela região, já que os jovens acreditavam que era “coisa de índio”, e que o trabalho não era valorizado. “Dona Zuleide”, “Dona Nazaré”, “Dona Joana”, e “Dona Filica”, todas moradoras das comunidades continuavam a retirar o barro na beira do rio e a produzir objetos em cerâmica, mas não de forma profissional. Dona Zuleide, por exemplo, acredita que “seres mágicos tem domínio sobre os recursos da floresta e é preciso pedir licença à mãe natureza”, dona do barreiro para extrair a argila.
Os autores, educadores com ampla atuação no Museu goeldi, apontam no livro a importância da cerâmica no processo de identificação e reconstrução do modo de vida de povos pré-históricos. Durante a leitura é possível, ainda, passear pela história dos afro-descendentes da região de Porto Trombetas até o contato com a ação do Projeto de Educação Ambiental e Patrimonial.
O livro retrata as etapas de produção do objeto em cerâmica e mostra que o Projeto deu tão certo, que foi criado o Espaço Casa do Artesão na comunidade Lago Moura, para a continuação dos trabalhos com o barro.
Através da obra é possível perceber que houve um resgate e valorização da “cultura do barro” nas comunidades da região de Porto Trombetas, além da qualificação da população, possibilitando maior independência econômica. Para além disso, um outro resultado foi o da preservação de sítios arqueológicos da região.
Vídeo-memória
O documentário “Filhos do Barro” também é resultado das ações desenvolvidas junto às populações tradicionais da região do Trombetas no oeste paraense. Com a direção de Vitor Lima, bolsista do Projeto Educação Ambiental e Patrimonial, o produto audiovisual mostra parte das atividades desenvolvidas junto aos descendentes de quilombolas.
Pesquisa arqueológica
Em 2001 teve início um projeto de pesquisa arqueológica na região de Porto Trombetas pelo Museu Goeldi, com a finalidade de fazer um levantamento dos sítios arqueológicos que direta ou indiretamente pudessem ser afetados pelas atividades da Mineração Rio do Norte. O Projeto de Educação Ambiental e Patrimonial desenvolvido em Trombetas acontece em cumprimento à Portaria no 230/2002 do Iphan que trata da compatibilização das licenças ambientais com os estudos preventivos da Arqueologia.
Serviço:
O lançamento do livro “A Cultura do Barro: arte e ciência nas margens do Rio Trombetas” e do filme “Filhos do Barro” acontecerá dentro da programação da 9ª Semana Nacional de Museus do MPEG, hoje (18), às 16 horas, no auditório Alexandre Rodrigues Ferreira, localizado no Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi, na Avenida Magalhães Barata, 376.