Divulgação/MPEG - Exemplar da Coleção sendo manuseado por alunos e professor.
Três mil peças. Dez mil pessoas beneficiadas e 25 anos de existência. A Coleção Didática Emilia Snethlage do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCT), em Belém (PA), é uma iniciativa consolidada e que apresentou muitos resultados positivos ao longo do seu desenvolvimento, auxiliando o trabalho dos professores nas salas de aula e aproximando a ciência das pessoas. A Coleção é formada por peças que representam as áreas de pesquisa do Museu Goeldi, tais como Zoologia, Botânica, Antropologia e Geociências, todas vinculadas ao ambiente amazônico.
“Queremos despertar nos alunos a curiosidade e o interesse pelas ciências, por meio da observação e manuseio de peças do acervo em atividades educativas, visando tornar mais agradável o ensino de ciências”, explica a sua idealizadora, Filomena Secco. Dentre as peças, se destacam animais vertebrados e invertebrados, peles de mamíferos, penas e ninhos de aves, exsicatas, amostra de madeiras e sementes, artefatos indígenas como arcos, flechas e colares, peças de cerâmica, rochas, minerais e fósseis, dentre muitos outros.
Usos e público
E é por conta dessa diversidade de peças que a coleção tem muitos usos e muitos públicos. Grande parte do seu acervo é utilizado em aulas, cursos, palestras e oficinas dentro e fora do Museu, além de algumas peças serem levadas para exposições e peças teatrais. Além desses usos, as peças são requisitadas pela Policia Militar do Pará – Batalhão de Policia Ambiental, Guarda Municipal de Ananindeua – Unidade de Policiamento Ambiental e o Exército brasileiro que, segundo a idealizadora, procura a coleção para fazer demonstrações com animais peçonhentos.
“A procura é muito grande”, diz Filomena, bióloga e também coordenadora e curadora da coleção. “Principalmente pelas peças de zoologia, que são as que as crianças e os jovens mais gostam. Já o público da terceira idade prefere as plantas, porque se identifica mais”, ressalta ela, lembrando que a coleção também participa das atividades do Clube do Pesquisador Mirim, do Serviço de Educação do Goeldi, e do Projeto Potencialização e Valorização do Saber do Idoso: uma proposta socioeducativa para a terceira idade, que é realizado em parceria com a prefeitura de Belém.
Além disso, Filomena diz que são várias as solicitações de escolas e instituições de outros municípios paraenses, como São Miguel do Guamá, Igarapé-Açu, Barcarena, Bragança, Igarapé-Miri, e as cidades mais próximas como Castanhal, Marituba e Ananideua. “Sabia que a coleção tinha potencial e esperava que ela fosse crescer e ganhar força, mas não nessas proporções”, conta Filomena.
Ideia e criação
Com pouco espaço e qualidade de armazenamento do material, a então estagiária do Departamento de Zoologia do Museu Goeldi, Filomena Secco, montou a Coleção Didática, em 1985, com o apoio do taxidermista Manoel Santa-Brígida. A ideia surgiu a partir da experiência didática de Filomena, com professores e alunos das escolas de Belém que faziam visitas orientadas ao Parque Zoobotânico da instituição.
“Notava que os alunos tinham interesse em conhecer os animais, as plantas e os demais itens da coleção científica do Museu, mas essa coleção não é disponível ao público em geral por ser de uso de pesquisadores e estudantes de nível superior. Então, isso motivou ainda mais a ideia de se criar uma coleção voltada aos professores e alunos do ensino fundamental e médio”, relata Filomena.
Assim, ela começou o trabalho, contando com cerca de 300 amostras de material botânico, coletadas no próprio Parque e adquiridas no mercado do Ver-o-Peso, e animais, conseguidos a partir da taxidermização de espécimes do Parque Zoobotânico do Goeldi e de doação do Departamento de Zoologia. “Eu tinha só um armário, no qual colocava vários vidrinhos com animais em meio líquido, em meio seco, como também as plantas, e a medida que os alunos iam chegando, ia dando mais explicações sobre a fauna e a flora da região”, lembra Filomena.
Potencial alcançado
Com o tempo e a melhor estruturação da Divisão de Educação e Extensão Cultural do Goeldi, a Coleção Didática foi melhor acondicionada e incentivada a crescer. Em 1988, foi aprovado pela fundação Ford o Projeto Educação em Ciências, sendo um dos sub-projetos a Coleção, hoje a Coleção Didática Emília Snethlage.
Com isso, o acervo cresceu significativamente e foi melhor acondicionado. Mesmo assim, a vida útil das peças nem sempre é total, devido à grande utilização do acervo, o que, às vezes, necessita de reposição, além dos pequenos danos que são inevitáveis, segundo a idealizadora, que ainda destaca que “a demanda é bem maior que a oferta”.
Hoje, a coleção tem cerca de 10 mil pessoas beneficiadas dentre todos os seus públicos, cada um com sua especificidade, que podem manusear e emprestar as peças do acervo para melhor conhecer os componentes da região amazônica. “E temos que ver essas diferenças e atender a todos”, acrescenta Filomena. E é visando esse público diverso e suas várias demandas que a coleção completa 25 anos e se prepara para o futuro.