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Pesquisadores usam Parque Zoobotânico como observatório
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Messias Colsta Lola/MPEG - Exemplares de ararrinhas.
12/08/2010 - 15:57

Além de local de visitação e pesquisa o Parque Zoobotânico PZB), do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEM/MCT), em Belém (PA), funciona também como um viveiro de animais da fauna amazônica, sendo responsável, muitas vezes, pelo tratamento de bichos apreendidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), bem como berçário de diversas espécies que reproduzem no próprio PZB.

Há sete meses, por exemplo, o Parque ganhou Macaxeira, filhote do casal de antas que há anos vive no PZB. Mas, recentemente, um outro nascimento vem chamando a atenção dos veterinários do Museu: na verdade, um caso curioso, fruto do cruzamento entre uma ararajuba (Guaruba guarouba) e uma ararinha maracanã (Ara nobilis).

A ararajuba é um psitacídeo (ordem de aves que inclui as araras, papagaios e periquitos) que só ocorre no Brasil. Por sua coloração verde e amarela e ameaçada de extinção, a ave é considerada por muitos ave-símbolo do País. O PZB tem sete ararajubas: uma delas, Lola, que convive com Ligeirinho, uma ararinha maracanã, que também pertence à ordem dos psitacídeos.

O que intriga os veterinários é que, possivelmente, a relação entre os dois animais gerou um filhote. Há um mês, Lola teve um filhote que pode ser um híbrido entre a ararajuba e o maracanã. "Só poderemos precisar se é um híbrido ou não depois de se realizar os testes genéticos no filhote, ou quando houver maior empenamento do filhote, já caracterizando o indivíduo. Estamos apenas aguardando o retorno do pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA) que pode realizar o teste", explica Messias Costa, veterinário do Goeldi.

Para ele, aliás, é plenamente possível que o filhote seja híbrido. A desconfiança aumenta quando se sabe que a ararajuba é um animal que forma casais fiéis por toda a vida. "Há a possibilidade da Lola ter acasalado com um animal da mesma espécie, embora forme casal com a ararinha. Esse tipo de arranjo "diversificado" - falando sobre o casal ararajuba/maracanã - é possível em grupos de psitacídeos mantidos em um só viveiro".

O caso toma outros contornos quando se sabe que a reprodução de psitacídeos em cativeiro requer uma série de cuidados para o seu sucesso, como a busca pela afinidade entre os animais e a separação do casal em um viveiro isolado, o que torna a espontaneidade do caso mais interessante. Além disso, um outro animal começa a se envolver na história: os veterinários observaram que uma marianinha (Pionites leucogaster) já foi vista algumas vezes cuidando do filhote de Lola.

Macacos e preguiças

Outro arranjo entre animais de diferentes espécies foi detectado recentemente no PZB. Um macaco-de-cheiro (Saimir sciureus), chamado Nino, que vivia solto no Parque entrou, acidentalmente, no viveiro dos macacos-aranha (conhecidos também como Coatás). O interessante é que não houve hostilidade entre os animais. Segundo o veterinário Costa, o Saimiri, depois de várias tentativas e muita persistência, "dominou" a situação, conseguindo, por exemplo, subir nas costas dos outros macacos e se alimentar junto com eles. "Essa situação é muito interessante porque não imaginávamos esse tipo de combinação que, aliás, vemos como uma oportunidade de quebrar a monotonia do viveiro, além de torná-lo mais atrativo para os visitantes".

As preguiças também são animais que conseguem se reproduzir no PZB, estimando-se que, hoje, existam 40 deles soltos na área. Não é raro o visitante se deparar com preguiças carregando filhotes nas costas, subindo e descendo das árvores atrás de alimento. "Na natureza, as preguiças são geralmente solitárias, mas filhotes mantidos na Veterinária são agregados aos maiores que até os carregam, o que é positivo para minimizar o estresse adaptativo ocasionado pela ausência da mãe", explica Costa.

Além dos que nascem no Parque, eventualmente o Ibama traz ao Museu filhotes de preguiça apreendidos. No PZB, são submetidos aos tratamentos necessários de modo que fiquem aptos a viver livres no Parque, uma vez que não podem retornar a natureza. Um caso recente que ilustra isso foi a chegada, há cerca de quatro meses, de um filhote de preguiça-real (Choloepus hoffmanni), que recebe cuidados especiais constantemente.

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