O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, participou nesta quinta-feira(5) da cerimônia de comemoração dos 49 anos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), em São José dos Campos (SP). Em seu discurso Rezende destacou a importância do trabalho desenvolvido pelos funcionários da instituição.
Servidores aposentados e aqueles que completam 10,15,20,25,30,35 e 40 anos de atividades foram homenageados. “O Inpe está consolidado e hoje é o protagonista do programa espacial brasileiro. O Brasil agradece aos funcionários do Instituto”, disse o ministro. A cerimônia foi realizada no auditório Fernando de Mendonça (LIT/Inpe).
O diretor presidente do Inpe, Gilberto Câmara, lembrou que um dos desafios futuros é a formação de mais profissionais. “O instituto cresce a cada ano. Precisamos cada vez mais de profissionais qualificados para tocar o Programa Espacial Brasileiro”, afirmou.
Os recursos destinados ao Inpe vêm aumentando a cada ano. Em 2002, o valor era de R$ 80 milhões. Hoje, a verba é cinco vezes maior. O Instituto é reconhecido internacionalmente por seus sistemas de monitoramento, estudos climáticos e previsão do tempo, ciências espaciais, atmosféricas e do ambiente terrestre, engenharia de satélites e pela excelência de seus cursos de pós-graduação.
História
O Instituto Nacional de Atividades Espaciais atua nas áreas de Meteorologia e Mudanças Climáticas, Observação da Terra, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. Tem ainda laboratórios associados em Computação Aplicada, Combustão e Propulsão, Física de Materiais e Física de Plasmas. Presta serviços operacionais e singulares de previsão do tempo e clima, monitoramento do desmatamento da Amazônia Legal, rastreio e controle de satélite, medidas de queimadas, raios e poluição do ar, e realiza testes e ensaios industriais de alta qualidade.
As atividades do Inpe tiveram início em 3 de agosto de 1961, com a criação do Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (Gocnae), que em 1963 passou a ser chamado Comissão Nacional de Atividades Espaciai (Cnaes). Com a extinção da Cnae em 1971, foi criado o Inpe, ainda como órgão vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O Instituto é o principal órgão civil responsável pelo desenvolvimento das atividades espaciais no País. Ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), tem como missão contribuir para que a sociedade possa usufruir dos benefícios propiciados pelo contínuo desenvolvimento do setor espacial.
O Inpe também se dedica à prestação de serviços, como a distribuição de imagens meteorológicas e de sensoriamento remoto, e à realização de testes, ensaios e calibrações. Além disso, transfere tecnologia, fomentando a capacitação da indústria espacial brasileira e o desenvolvimento de um setor nacional de prestação de serviços especializados no campo espacial.
Um dos mais importantes programas do Inpe é o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers), que teve início com a assinatura do acordo de cooperação espacial com a China em 1988. Como resultado desta parceria foram lançados os satélites Cbers-1, 2 e 2B em 1999, 2003 e 2007, respectivamente. Até 2014, estão previstos os lançamentos de mais dois satélites deste programa: Cbers-3 e 4.
Também se destaca a plataforma orbital Plataforma Multimissão (PMM). A primeira PMM deve compor o satélite de sensoriamento remoto Amazônia-1, que permitirá o aumento da freqüência da produção de imagens e assim o acompanhamento mais imediato de fenômenos de grande impacto, tais como queimadas e desflorestamento. Dentro da categoria de Satélites de Sensoriamento Remoto, há ainda uma segunda missão, que prevê a colocação em órbita de um satélite com imageador radar.
O Inpe mantém, desde 1993, o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SDC). Hoje, o sistema é operado por dois satélites em órbita equatorial – o SCD-1 e o SCD-2, primeiros satélites nacionais, produzidos inteiramente no País. O sistema tem hoje mais de 750 PCD’s espalhadas pelo território nacional.
Com relação à área de Observação da Terra, destaca-se o Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). Com 22 anos de história, o Prodes é considerado o maior programa de acompanhamento de florestas do mundo, por cobrir os 4 milhões de km² de áreas florestais e por sua freqüência anual. Seu resultado mostra a taxa média e a estimativa da extensão do desflorestamento bruto da Amazônia brasileira e tem orientado a formulação de políticas públicas para a região.
Desde junho de 2004, o Inpe também opera o sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que utiliza sensores com alta frequência de observação para reduzir as limitações da cobertura de nuvens. A maior frequência de observação permite que o Deter forneça aos órgãos de controle ambiental informação periódica sobre eventos de desmatamento, para que possam ser tomadas medidas de contenção. Mais recentemente, entrou em operação o Sistema de Monitoramento de Áreas de Florestas Degradadas na Amazônia (Degrad). Em breve, serão lançados os primeiros resultados do Detex, sistema que verifica áreas de exploração seletiva de madeira.
Com relação às atividades em Meteorologia, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), criado em 1994 e sediado em Cachoeira Paulista (SP), deu passos significativos nos últimos anos na manutenção de sua liderança como um dos mais completos núcleos de previsão meteorológica e climática do Hemisfério Sul e do planeta. Essa é uma área da ciência altamente vinculada ao desenvolvimento do País, em especial nos setores agrícola, energético e na conservação do meio ambiente. Graças aos recursos computacionais do Inpe, o Brasil está entre países com alta capacidade de processamento dedicado para operação e pesquisa em tempo e clima.
A área de Ciências Espaciais e Atmosféricas realiza pesquisas básicas e aplicadas com a finalidade de entender os fenômenos físicos e químicos que ocorrem na atmosfera e no espaço. E o Inpe também mantém atividades associadas à área espacial que desenvolvem pesquisas pura e aplicada, visando o domínio de tecnologias de ponta e de interesse estratégico às atividades espaciais nas áreas de sensores e materiais, física de plasma, computação científica e modelagem matemática.