Divulgação/MCT - O ministro Sergio Rezende (E) conversa com o físico Cylon Gonçalves em sua posse, na Ceitec.
Cylon Gonçalves da Silva, professor emérito do Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) assumiu nesta quarta-feira (4),
em Porto Alegre (RS), a presidência do Centro de Excelência
em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec/MCT), fabricante de semicondutores.
O principal objetivo da empresa, inaugurada em março último, é desenvolver a indústria eletrônica nacional por meio da implantação de uma base sólida no setor de semicondutores.
Ao saudar o novo presidente do Ceitec, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, disse que ele reúne todas as condições necessários para levar adiante o desafio de dirigir a estatal. ”É do ramo, já teve diversas experiências em outros organizações vinculadas ao MCT e, principalmente, tem uma profunda habilidade para lidar com o ser humano”.
“O Brasil já fez várias tentativas de implantar uma indústria de microeletrônica, mas por razões econômicas e de mercado, nenhuma delas teve muito êxito. Agora, há uma janela de oportunidades. O País vive uma demanda por desenvolvimento de tecnologias em várias áreas, como em telecomunicações”, disse Gonçalves da Silva.
A Cietec opera na elaboração de projetos de circuitos integrados e tem como segundo propósito produzi-los. A fábrica, que está em fase final de implantação e certificação, será a única na América Latina capaz de produzir processadores (chips).
No Design Center, um dos componentes da empresa, são elaborados projetos, criadas patentes e conhecimento de processadores. O outro espaço da empresa é a fábrica, onde efetivamente serão criados os produtos. “Mas a Ceitec não vai lidar com o consumidor final. Será uma provedora de tecnologia para empresas que estarão no mercado”, explicou o presidente.
A empresa já tem um produto em desenvolvimento, projetado pelo grupo que deu origem à empresa, denominado Chip do Boi, dispositivo que permite rastrear e acumular dados sobre o gado.
“O chip foi pensado e produzido no Brasil, mas fabricado no exterior. Está em fase de testes em fazendas
em Minas Gerais e Mato Grosso e é muito importante do ponto de vista do mercado interno e exportador”, destacou Gonçalves da Silva.
O objetivo em curto prazo é colocar a fábrica para funcionar e levar o Chip do Boi para o mercado. “É um produto inteiramente novo, uma espécie de carteira de identidade com atestado de vacina do animal. Nele, ficam registradas a história e toda a evolução do animal”, informou.
Segundo o novo presidente, a Ceitec terá um papel decisivo no desenvolvimento das telecomunicações no País, em particular nos componentes para TV digital e para a expansão da banda larga. A empresa é uma das envolvidas no desenvolvimento de tecnologia para o plano nacional de banda larga, cujo objetivo é ampliar o acesso em alta velocidade à internet no País.
“A ideia é desenvolver a WiMax no Brasil, que é uma tecnologia de transmissão de sinal sem fio com um alcance maior, que pode chegar a um ou dois quilômetros”, disse.
Outro ponto diz respeito à recente implantação da TV digital no País e à escolha de um padrão distinto do resto do mundo. “Temos condições de projetar e fabricar a componente chave, que é o demodulador do sinal digital, para que empresas coloquem o componente nos televisores que serão fabricados no País”, disse Gonçalves da Silva.
“Mas o desafio não é só da Ceitec. É da sociedade e do Estado brasileiro, de criar um ambiente que estimule o surgimento dessas empresas e a manutenção delas no mercado”, afirmou.
Já o ministro Rezende, anunciou que o Ceitec, que já tem uma carteira de produtos, muito breve poderá aumentá-la, ainda mais. A convicção do ministro tem como base a edição da Medida Provisória 497, que altera a Lei de Licitações e confere ao Estado um maior poder de compra. Segundo ele esta MP dá prioridade aos produtos desenvolvidos e fabricados no Brasil, nos processos de compras públicas.
Neste sentido, de acordo com o que informou Rezende, algumas iniciativas já foram tomadas pelo MCT junto a outros órgãos federais que compram produtos tecnológicos. “Com certeza o Ceitec terá condições competitivas para atender as demandas desses clientes públicos e de outros que estão no setor privado”.
O ministro defendeu uma maior aproximação do Ceitec com a CI-Brasil, associação que articula profissionais em circuitos integrados. Esta integração será fundamental para que tenhamos uma verdadeira rede em torno da dos pesquisadores e das empresas com atuação neste área.
Trajetória
Cylon Gonçalves da Silva graduou-se em física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1967. É PhD em física pela Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos (1972), e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) desde 1992.
No período 1978/1980 foi maître-assistant e professor visitante na Universidade de Lausanne e pesquisador visitante na École Normale Supérieure (Paris). Dirigiu a implantação do Laboratório Nacional de Luz Sincroton (LNLS/MCT), em Campinas (SP), que entrou em operação em 1997.
Grande parte da sua produção científica é dedicada a pesquisas sobre propriedades magnéticas e eletrônicas de materiais e a estudos sobre super-redes semicondutoras semimagnéticas. Tem cerca de 70 artigos publicados e cinco livros editados.
Foi diretor de desenvolvimento da Editora Oficina de Textos e iniciou uma série de conferências da Escola Brasileira de Física de Semicondutores. Também foi membro do Comitê de Programa da Conferência Internacional de Física dos Semicondutores.
Informações sobre o Ceitec no site: www.ceitec-sa.com