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03/08/2010 - 17:38
Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), unidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT), em São Paulo (SP), trabalham no desenvolvimento de repelentes de mosquitos a partir de óleos essenciais 100% cento naturais. O material poderá ser incorporado em cordões, pulseiras ou pingentes para prolongada ação repelente.
Em todo o planeta, existem cerca de 2.500 espécies de mosquitos. Os Anopheles são os transmissores de malária e os Aedes, da febre amarela e da dengue, considerada hoje um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A nebulização – o chamado carro-fumacê – é uma forma de controle dos mosquitos. Porém, utiliza agentes que, com exposição continuada, podem ser tóxicos, causando problemas alérgicos e neurológicos. Os repelentes mais conhecidos, adquiridos em supermercados ou farmácias, na forma de cremes ou sprays, podem causar alergias de pele ou toxicidade sistêmica, além de interferência endócrina.
Motivados por fatos como esses, pesquisadores da área de Biomateriais Poliméricos do Centro de Química e Meio Ambiente do Ipen desenvolvem uma pesquisa para a obtenção de dispositivos repelentes naturais de mosquitos. O projeto, coordenado pela farmacêutica bioquímica Sizue Ota Rogero, objetiva a criação de um dispositivo repelente em forma de pulseira, botão ou outro produto similar, que libere lentamente substâncias repelentes de origem vegetal, resultantes de uma combinação de óleos essenciais.
A pesquisadora conta que já existem produtos similares disponíveis no mercado. “No Brasil já existem pulseiras e adesivos repelentes à base de citronela, uma variedade de óleo essencial. Porém, estudamos o desenvolvimento de pulseiras repelentes contendo uma mistura de óleos essenciais de plantas, com propriedades repelentes, que é cem por cento natural. Além disso, pretendemos que os dispositivos repelentes apresentem liberação lenta dos óleos, garantindo um tempo de ação prolongado, que suas propriedades sejam seguras para o uso por crianças e gestantes, sem qualquer prejuízo à saúde, e que seja econômico”, ressalta a pesquisadora Sizue.
O produto desenvolvido será levado a laboratórios especializados para testes de eficácia, segurança e de tempo de duração do efeito desejado. A matriz polimérica utilizada será a de silicone, por ser biocompatível, não tóxico e não interferir na eficácia do produto.
Após incorporação da mistura de óleos essenciais com propriedade repelente para mosquitos, poderão ser confeccionados cordões para uso como pulseiras, além de diferentes formatos para uso como broches ou pingentes. Esses produtos também poderão ser utilizados em animais de estimação, com a incorporação de óleo essencial com propriedade repelente de pulgas e carrapatos.
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