O físico
Vanderlei Bagnato, professor titular da Universidade
de São Paulo (USP) e coordenador do
Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (CePOF), recebe hoje (19) no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT), no Rio de Janeiro, o Prêmio CBPF de Física. O prêmio foi criado no final de 2009 para reconhecer contribuições singulares ao desenvolvimento no campo da física.
Foram o ineditismo e importância de seu trabalho sobre turbulência quântica que renderam a Bagnato a distinção nessa primeira edição do Prêmio CBPF. Ao demonstrar o fenômeno de turbulência
em um condensado Bose-Einstein e as condições em que tal turbulência pode ser controlada, o pesquisador e seus colaboradores abriram caminhos promissores para desenvolvimentos nas áreas de óptica quântica e física atômica.
A comissão que julgou o prêmio destacou a “técnica elegante e eficiente utilizada por Bagnato e sua equipe na demonstração do fenômeno”.
Aos 52 anos,
Bagnato acumula êxitos e muito trabalho na sua carreira como cientista. Aos 19 anos ingressou simultaneamente nos cursos de Física da USP e de Engenharia dos Materiais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ao terminar o primeiro curso, deu início ao seu mestrado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, onde trabalhou com propriedades ópticas de cristais inorgânicos. No término do mestrado, em 1983, ingressou no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Eastados Unidos, onde foi orientado por David Pritchard num dos temas que viria a ser dos mais relevantes para a física: resfriamento e aprisionamento de átomos.
Sua tese de doutorado, defendida em 1987, foi a primeira neste tema. No mesmo grupo de pesquisa trabalhavam Eric Cornell e W. Keterlle (prêmio Nobel de 2001) e W. Phillips (prêmio Nobel de 1997), com os quais manteve laços científicos e pessoais.
Quando regressou ao Brasil, no final de 1988, pôs em funcionamento seu laboratório
em São Carlos , onde, junto com sua equipe, desenvolveu pesquisas no campo de átomos frios e sobre condensação de Bose-Einstein. Em 1998, o laboratório recebeu o prêmio Nacional de Metrologia pela construção do primeiro relógio atômico da América Latina e o pesquisador começou uma segunda linha de trabalho sobre aplicações de laser em medicina e odontologia.
À frente desse novo
programa de pesquisa , Bagnato e sua rede de colaboradores puderam promover o desenvolvimento de técnicas modernas de diagnóstico óptico para diferentes doenças, o que resultou na implantação clínica da terapia fotodinâmica no Brasil, uma técnica importante no tratamento do câncer.
Além de coordenar um vasto
programa de pesquisa científica,
Bagnato é autor de mais de duas centenas de artigos científicos publicados em revistas internacionais e dedica-se intensamente a difusão e educação científica, mantendo, inclusive, um canal de TV comunitário
em São Carlos (SP), voltado para a divulgação de ciência. Pelo alcance social desse trabalho foi agraciado em 2004 com o Prêmio
José dos Reis de divulgação Científica, concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT).
Membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academy of Sciences for the Developing World (Twas), além de contemplado com muitas outras distinções, Bagnato admite que “nossa cultura é de pouca premiação – uma cultura que agradece muito pouco ao esforço da ciência em prol do conhecimento – o que torna louvável a iniciativa do Prêmio CBPF e do reconhecimento prestado ao pesquisador brasileiro e ao trabalho de pesquisa desenvolvido no País”. Para Bagnato, o prêmio também cria “meios e oportunidades para que a ciência produzida por pesquisadores brasileiros seja mais apreciada no País”.
A entrega do Prêmio, patrocinado pela empresa Lasertools Tecnologia Ltda. Será na abertura da 8ª Escola do CBPF, e pretende reunir, além dos estudantes inscritos, uma expressiva parcela da comunidade científica nacional.