Pesquisadores brasileiros a bordo do navio oceanográfico Cruzeiro do Sul partiram nesta segunda-feira (19) do Rio de Janeiro rumo à costa do Continente Africano. A intenção é coletar materiais para pesquisas meteorológicas. A equipe, composta por 16 cientistas de dez universidades ou institutos de pesquisa, deve retornar ao Brasil em 22 de dezembro. Outra expedição, que também zarpou ontem, do Rio de Janeiro, foi a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano, que fará a primeira viagem Austral, rumo à 23ª Operação Antártica (Operantar).
A expedição do Cruzeiro do Sul deve ancorar também na África do Sul e na Namíbia, para coletas de nutrientes, medição de temperatura e de salinidade, avaliação de correntes marítimas, entre outros objetivos.
De acordo com o capitão de fragata, Alvaristo Nagen Dair, também comandante da operação, as pesquisas serão feitas na superfície e também no mar, com a ajuda de um aparelho específico, entre 30 metros e 5 mil metros de profundidade. “Vamos fazer coletas em uma área da Bacia do Atlântico Sul com um vazio de dados e de informações muito grande, mas que podem ser usadas para melhorar os processos de previsão meteorológica na nossa costa”, destacou.
Essa é a primeira vez em que o navio oceanográfico Cruzeiro do Sul cruzará o Oceano Atlântico. A expedição é uma parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Navio Polar
O Navio Polar Almirante Maximiano participa da 23ª Operantar, operando conjuntamente com o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel (NApOc Ary Rongel).
A presença desses dois Navios da Marinha do Brasil no Continente Gelado é também uma grata novidade e eleva a capacidade logística e tecnológica do Proantar, contribuindo inegavelmente para uma melhoria no desenvolvimento de pesquisas científicas conduzidas e para a coleta de dados hidroceanográficos naquela Região, além de flexibilizar o apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF).
Durante sua primeira missão antártica, o navio apoiará projetos voltados a levantamentos topográficos; impacto das mudanças globais, considerando a fauna e a flora da Região; mudanças antrópicas no Meio Ambiente Marinho Antártico; gestão ambiental; educação e difusão da ciência; modelagem e dinâmica de massas de água nas regiões polares; estudos do solo marinho para identificação de eventos paleoclimáticos; estudos sobre a microbiota da região; e processo de recuo das geleiras.
O navio operará com duas aeronaves embarcadas, que serão utilizadas no transporte de material e pessoal. Para tal, tem um hangar capacitado a abrigar as duas aeronaves, bem como oficinas para manutenção das mesmas. O regresso do navio está previsto para o dia 10 de abril de 2010.