O Instituto de Pesquisa Energética e Nucleares (Ipen), autarquia estadual associada à Universidade de São Paulo (USP) e gerenciada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT), voltou a receber o molibdênio-99 no domingo (6). Esse elemento é matéria-prima necessária à produção de geradores de tecnécio-99m, responsáveis pelos serviços de medicina nuclear para diagnóstico de várias doenças, especialmente na área cardiológica e oncológica.
O molibdênio-99 foi calibrado ontem (8) em quantidade que supre aproximadamente 30% da demanda nacional, de acordo com o fornecimento usual nas últimas semanas. Até sexta-feira (11), o Ipen também reforça o fornecimento do tálio-201, que substitui o tecnécio em alguns exames cardiológicos.
Desde 1º de setembro, o Ipen enfrenta dificuldades na distribuição do molibdênio-99 devido a problemas técnicos no reator nuclear da Comissão de Energia Atômica da Argentina (Cnea), que tem fornecido esse elemento químico ao Brasil. Entretanto, o religamento do reator argentino permitiu retomar a distribuição dos geradores. A Argentina tem disponibilizado desde maio toda sua produção excedente para o Brasil.
Em maio último, o reator canadense NRU, um dos principais produtores mundiais de molibdênio-99, interrompeu seu funcionamento por problemas técnicos e a previsão mais recente é de que ele volte a operar apenas no primeiro trimestre de 2010. Em julho, o reator o HFR-Petten, da Holanda também parou. Juntos fornecem 64% do molibdênio-99. O reator holandês já voltou a operar, porém no início de 2010 tem interrupção programada por pelo menos seis meses.
Além dos reatores canadense e holandês, apenas outros dois produzem comercialmente molibdênio-99: o Safari, na África do Sul, e o BR2, na Bélgica. A falta do produto tem impactado serviços de medicina nuclear em todo o mundo.