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Cultura indígena ameaçada de morte
27/08/2009 - 17:40

Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi (Mpeg/MCT) revela que 21% das línguas indígenas do Brasil estão ameaçadas de extinção. O problema atinge o Pará, onde cinco línguas já não são mais transmitidas para as gerações mais novas e duas têm pouca transmissão. Uma das consequências é a perda de conhecimentos tanto culturais quanto econômicos e medicinais que só poderiam ser repassados pelas populações mais velhas. 

O Goeldi fez o levantamento das línguas indígenas faladas no Brasil, no ano passado. São 154, sendo 26 a menos que o divulgado até então porque outros levantamentos consideravam dialetos como uma língua e não uma variação, como ocorre com o português falado de forma diferente em cidades brasileiras. 

A linguista e coordenadora da área de ciência do Museu, Ana Vilacy, cita o caso da etnia Gavião, que tem cinco dialetos em Rondônia. Pela pesquisa do Goeldi, eles foram agrupados em uma só língua. 

A pesquisadora explica que existiram mais línguas indígenas no Brasil, mas a pesquisa se concentrou apenas naquelas 154 línguas ainda faladas, nem que só por duas pessoas, como é o caso de uma aldeia Xipaia, em Altamira. A situação da aldeia do município do sudoeste paraense é considerada crítica e exemplar do que se vive no resto do país e que não tem a ver somente com a redução populacional: a população indígena é grande, mas as gerações mais novas só aprendem o português. 

Pelas regras internacionais, a maioria das línguas indígenas brasileiras estaria ameaçada de extinção porque as populações têm 1 mil habitantes ou menos. Mas a verdade é que a transmissão ou não do falar dos índios é que é determinante. 

De acordo com Vilacy, se houver uma quebra na transmissão, a tendência é que a língua desapareça dentro de duas a três gerações, independente de quantos vivem em aldeias. O cálculo leva em conta o fato de que, muitas vezes, aqueles que falam a língua original estão na faixa dos 80 anos. 'Hoje, a língua é falada pelos mais velhos, da primeira geração, que têm 80 anos, em média; pelos filhos, com 30 a 40 anos; e não é mais pelos netos, da terceira geração. Tem aí uma quebra e a quarta geração já não vai mais falar. Vai ter um momento em que vai ter apenas os mais velhos falando a língua original', constata.  

No Pará, existem cerca de 40 povos indígenas, mas apenas 25 falam a língua original, de acordo com a pesquisa. A perda é vista não só pela descaracterização pessoal do indígena, como pela redução do que se pode ensinar e aprender com o relacionamento entre as gerações. 

O cenário não tem sido favorável, mas Vilacy aponta caminhos para evitar mais perdas. É preciso documentar as linguagens, criar condições para que as escolas bilingues funcionem e valorizar as populações indígenas para que elas mesmas, independente do espaço escolar, ensinem suas línguas para filhos e netos. 

A documentação tem exemplos experimentados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2006, Fundação Nacional do Índio (Funai) em parceria com a Unesco e o próprio Museu Emílio Goeldi.

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