Crédito - Gustavo Tilio - Pesquisador do Inpa Adalberto Luis é um dos principais estudiosos do tema
Que a Amazônia é um berçário de espécies variadas de peixes todos sabem. Agora, os cientistas estudam a razão dessa diversidade. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), Adalberto Luis Val, é um dos principais estudiosos do assunto. “Precisamos, primeiramente, despertar a consciência de que a Amazônia tem de ser pensada por todos os países da América do Sul. A fronteira é coisa do homem”, disse durante a palestra ministrada, hoje (15), para um grupo de professores e estudantes que acompanham a 61ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus (AM).
Segundo Val, existem peixes que sobrevivem em ambientes com baixos níveis de oxigênio, de pH e pobres em íons, como é o caso de algumas espécies do Rio Negro, cujo pH, em alguns trechos chega a 2,9. “Mesmo nestas condições ainda existe vida. Alguns peixes também suportam alterações ambientais causadas pelo homem, como assoreamento, derramamento de petróleo ou despejo de resíduos agrotóxicos”, contou.
No Rio Amazonas – que comporta 20% da água doce circulante no mundo – o pH das águas é básico, em torno de sete, e esta diferença é um dos fatores que proporciona a incidência de espécies com características diferentes das que vivem no Negro. “Os dois rios, que se tocam, mas não se misturam - fenômeno conhecido como Encontro das Águas - são a prova de que o ambiente da região Norte propicia também um encontro de espécies”, disse o pesquisador.
Neste sentido, estudar quais são as variedades de peixes que sobrevivem as características ambientais múltiplas, conhecer o tempo máximo de tolerância as situações de estresse em cada espécie, e observar as conseqüências decorrentes de cada situação – natural ou induzida pela ação do homem – são alguns dos objetivos dos pesquisadores do Inpa. “A variabilidade de espécies também está intimamente ligada aos processos ecológicos, geológicos e evolutivos que se sucederam na região”, explicou Val. Os cientistas buscam, portanto, identificar, em uma grande variedade de adaptações evolutivas, soluções parecidas, mesmo em grupos de peixes geneticamente distantes. E é este mapeamento que vai servir de base para recomendações a serem adotadas, futuramente, no manejo e conservação de espécies.
Com informações da Ascom da Finep