J. Freitas - Agência Senado Evento debateu um novo modelo de desenvolvimento regional para a Amazônia Legal
O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Barreto de Castro, disse, hoje (3), que para diminuir o desmatamento na Amazônia é necessário viabilizar economicamente a região. “Temos que mostrar que é mais negócio ter a floresta em pé, agregando valor aos produtos amazônicos”, afirmou o secretário, na audiência pública, no Senado, destinada a debater um novo modelo de desenvolvimento regional para a Amazônia Legal.
Barreto de Castro destacou que a biodiversidade da Amazônia permite o desenvolvimento de indústrias que sobrevivem sem a necessidade de desmatamento, como a farmacêutica. “Mais de 50% das pesquisas para encontrar novas fórmulas de remédio tem a base em recursos naturais, mas nenhuma de espécie da Amazônia. Temos que investir em ciência e tecnologia para desenvolver o setor de medicamentos”, exemplificou.
O secretário ressaltou que o Ministério do Meio Ambiente e o MCT estão estudando uma maneira para que o Conselho Nacional de Desenvlvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) tenha acesso a esta biodiversidade na região. “Isso é importante para desenvolver este setor”, disse. Segundo Barreto de Castro, o MCT vem desenvolvendo várias ações que pretendem fomentar as pesquisas na região. Ele acrescentou que a pasta está investindo R$ 30 milhões na Amazônia em projetos como o da Rede Bionorte, que une os nove estados da região, com foco no uso sustentável da biodiversidade além do trabalho de nove Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, especificamente na região.
Outra iniciativa importante, de acordo com Barreto de Castro, foi a assinatura, pelos presidentes do Brasil e da França, no ano passado, de um protocolo de criação de um centro franco-brasileiro destinado a tratar da biodiversidade amazônica.
Pesquisadores
O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), Adalberto Luís Val, afirmou ser necessário investir na formação de pesquisadores para atuar na região. Segundo ele, a Amazônia conta hoje com 3,5 mil doutores, sendo que metade deles não está envolvida com laboratórios de pesquisa para produção de informações científicas. Val alertou ainda para o fato de que 60% da produção científica sobre a Amazônia não tem autoria brasileira.
O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis Júnior, disse ser necessária a elaboração de um plano global que contemple a Amazônia. Ele defendeu também a criação de novos institutos de pesquisa na região, voltados a estudos sobre biodiversidade, recursos hídricos e minerais.