Apesar do nome extenso, a Análise Integrada de Risco Ambiental tem um significado bem direto. "Seu objetivo é fornecer as maiores informações possíveis sobre quem está produzindo a poluição, qual é a dose que a gente está recebendo nos mais diversos cenários, quais são os efeitos, qual é o custo disso", resume o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do recém-criado Instituto Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental. "Os dados fornecerão instrumentos para que políticas públicas sejam efetuadas com o objetivo de reduzir as emissões de poluentes", afirma documento da instituição.
Saldiva entende que uma maneira importante de provocar alguma alteração no nível de degradação ambiental é demonstrando os custos futuros da poluição, principalmente aqueles que afetam a saúde humana. Para ele, as decisões tomadas hoje sobre as opções de combustíveis estão muito mais baseadas no custo do processo operacional do que nas consequências. "A saúde humana é o lado fraco desse processo", comenta.
Ainda na idéia de somar outros fatores ao "preço" que se paga pelos combustíveis, Saldiva acrescenta e diz, como prognóstico, que "o valor de um combustível vai além do custo de produção, processamento e distribuição. Fenômenos como aquecimento global e poluição atmosférica vão agregar ou subtrair valor de um combustível."
O Instituto tem suas pesquisas voltadas exclusivamente para a poluição atmosférica, segundo Saldiva, porque não há estação de tratamento de ar, é a única forma de poluição que atinge todas as pessoas e a do ar. Ele explica que ela é muito mais difícil de ser analisada do que outros focos de poluição, como a água. Nesse sentido, serão analisados três cenários, o urbano, o da agroindústria, com, por exemplo, os processos de produção dos alimentos, e o dos biocombustíveis.
Ambiente de ar limpo
Sobre as pesquisas o Instituto, já existem alguns projetos. Um deles será uma espécie de container com ar limpo, para analisar a melhora na condição de pacientes doentes. Haverá ainda um concentrador de poluentes atmosféricos no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, que irá simular dias de poluição excessiva.
No Hospital Universitário (HU) da USP, serão analisadas 400 gestantes, com diferentes perfis, fumantes e não-fumantes e que moram próximas ou distantes da poluição. As mulheres serão acompanhadas por todo o período de gestação e seus filhos até os três anos de idade. O objetivo é analisar distúrbios como o autismo, baixo peso e obesidade, entre outros problemas.
Outro projeto do Instituto abordará educação ambiental problematizada para estudantes de ensino fundamental. Já há experiências nessa área em cidades como Cubatão (SP) e São José dos Campos (SP), com a criação de plantas que mudam de cor em ambientes poluídos, transformando a escola num ponto de monitoramento da poluição em seu entorno.
Há ainda a proposta de construção de um "laboratório de ensino", uma estufa dentro do Parque do Ibirapuera, no centro de São Paulo, que servirá de área de estudo para professores e alunos.
Com informações da Rodrigo Martins do portal Inovação Tecnológica