O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Barreto de Castro, afirmou hoje (10) que está disposto a lutar por mais recursos para o projeto Pirata (da sigla em inglês: Pilot Research Moored Array in the Tropical Atlantic). Ele ressaltou, no entanto, que é necessário que os pesquisadores envolvidos na iniciativa tracem uma estratégia para aplicação dos recursos existentes para 2009.
“Dou importância enorme para questões do mar e da Antártica. Vejo, porém, com certa preocupação, que estas áreas não tiveram uma postura consolidada. O Pirata é uma demanda consistente que precisa ser mais divulgada. Espero que no final desta reunião seja feita uma agenda de ações para facilitar o aumento de verbas oriundo das ações transversais”, disse Luiz Antonio Barreto de Castro, ao participar pela manhã da 7ª Reunião do Comitê Nacional do Projeto Pirata Brasil, realizada na sede do MCT.
O secretário informou que estão disponíveis R$ 5 milhões para o setor da ciência do mar e mais R$ 4 milhões para projetos de balanço de carbono que poderão financiar o Pirata. Esses recursos são oriundos dos Fundos Setoriais, por meio das ações verticais (aquelas que têm ênfase na Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior - Pitce). “Essa soma pode aumentar”, acrescentou.
Oceano
O Pirata é um programa de oceanografia operacional elaborado por um grupo de cientistas envolvidos nas atividades do Clivar (Climate Variability and Predictability Program). As atividades são realizadas no âmbito de uma cooperação internacional entre o Brasil, França e Estados Unidos.
O objetivo do programa, segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT), Paulo Nobre, é estudar as interações oceano-atmosfera no Atlântico tropical e os seus impactos na variabilidade climática regional em escalas sazonais, interanuais ou de período mais longo.
Além do Inpe, a iniciativa conta com a participação da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), da Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), e da Universidade de São Paulo (USP). Os franceses são o Institut de Recherche pour le Développement (IRD), Météo France, o Centre National de Recherche Scientifique (CNRS), e o Institut Français de Recherche et d´Exploitation de la Mer (Ifremer). E o americano National Ocean Atmospheric Administration (Noaa).
“O Pirata tem 11 anos e consiste no monitoramento das mudanças climáticas por meio de bóias instaladas no oceano Atlântico Sul. Quase toda tecnologia é nacional, utilizamos os satélites do Inpe. É um programa que dá orgulho ao Brasil”, disse Paulo Nobre. Atualmente a rede conta com 18 bóias.
Este programa foi espelhado no sucesso científico do Tropical Ocean Global Atmosphere (Toga), que instalou no Pacífico Intertropical 70 bóias oceanográficas do tipo Atlas, que constituem a rede TAO/Triton. O objetivo principal das bóias é coletar dados do oceano e da atmosfera a fim de que se possa descrever e compreender a evolução temporal e espacial da temperatura da superfície do mar, a estrutura térmica superficial e as transferências de quantidade de movimento, de calor e de água doce, entre o oceano e a atmosfera.
As observações oceânicas, juntamente com as observações meteorológicas, são transmitidas por satélite (via o sistema de transmissão Argos), e são disponibilizadas em tempo real na Internet. Durante a fase experimental (de 1997 a 2001), a atividade do Pirata esteve estreitamente ligada ao Clivar, particularmente ao Etudes Climatiques dans l'Atlantique Tropica (Eclat l) a contribuição francesa para os estudos do Atlântico tropical. Nessa fase, o Pirata mostrou sua capacidade de resolver problemas técnicos e logísticos para manter essa rede de observações funcionando operacionalmente.