No estande da Cnen o visitante pode conhecer o emprego das tecnologias nucleares na área alimentar e médica
Quem visitar o estande da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT), até domingo (26), na 5ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em Brasília (DF), vai conhecer o emprego das tecnologias nucleares na área alimentar e médica.
"Existe uma fonte radioativa chamada cobalto 60, que emite o raio gama com o qual o alimento é irradiado. Essa técnica, além de esterilizar o produto, aumenta o tempo de conservação", diz o expositor, Roberto Fraga. Segundo ele, no caso da aguardente o processo visa a diminuir a acidez.
Esta técnica é empregada em países industrializados e hoje apresenta uma forte expansão nos em desenvolvimento. A tecnologia, aprovada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), é utilizada em 37 países. No Brasil, a Cnen é responsável por autorizar e inspecionar regularmente as instalações que fazem irradiação.
Na área médica, há aplicações no diagnóstico e tratamento de uma série de doenças. Um exemplo de uso de tecnologia nuclear é a radioterapia, técnica que consiste na utilização de fontes de radiação para tratamento de tumores. Outro são os radiofármacos, isótopos de minerais radioativos, empregados para diagnóstico, terapia e pesquisa, que têm diversas aplicações, entre elas diagnóstico e acompanhamento terapêutico no combate ao câncer, avaliações neurológicas e cardiológicas, estudo do metabolismo cerebral nas doenças de Parkinson, Alzheimer e Tourettes.
O tecnécio (Tc 99), também elemento radioativo, é utilizado no diagnóstico de doenças no cérebro, pulmão, coração, fígado e outros órgãos.
Outro radiofármaco é o iodo-131, que emite raios gama e tem meia-vida de oito dias. Ele é usado para diagnosticar doenças na glândula tireóide. O iodo existente em alimentos é absorvido naturalmente pelo organismo humano. A tireóide concentra a maior parte da absorção.
Aproveitando-se esta característica, ministra-se uma solução de iodo-131na pessoa a ser examinada. Depois, com o auxílio de um detetor, que permite se observar como o elemento químico se comportou no interior do organismo, verifica-se a absorção em relação a um padrão normal e a distribuição do iodo pela glândula. O detetor é associado a um mecanismo que permite mapear a tireóide. O iodo funciona como um traçador radioativo. Em processo similar, pode-se fazer a cintilografia (mapeamento) de outros órgãos, como fígado, coração e cérebro.