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A árdua batalha contra a fome no mundo
21/03/2005 - 12:36
Flávio Valente é médico graduado pela Universidade de São Paulo (USP) e possui mestrado em Saúde Pública pela Harvard School of Public Health, de Boston, EUA. É coordenador técnico da Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos (Abrandh), relator nacional para os Direitos Humanos à Alimentação, Água e Terra Rural, membro da Coordenação Nacional do Fórum Brasileiro de Segurança Alimentar e Nutricional e representante, em nível global, da sociedade civil, como membro do Comitê Permanente de Nutrição da Organização das Nações Unidas, que acabou de realizar no Brasil sua 32ª Sessão Anual, onde foram discutidas as políticas globais para garantir o direito humano à alimentação e nutrição adequadas.

Como uma das maiores autoridades mundiais na área, com várias publicações sobre o tema, Flávio Valente foi peça fundamental na organização e realização deste evento internacional, acontecido entre os dias 14 e 18 de março, em Brasília. Nesta entrevista à Agência C&T, o pesquisador brasileiro faz um balanço do evento e levanta algumas questões que devem levar à reflexão todos os que lutam pela construção de um mundo melhor.

Qual é o grande objetivo desta reunião?
Flávio Valente ? A luta contra fome é permanente e se dá em vários níveis. Há ações que devem ser feitas em nível local, e que não podem esperar por mudanças estruturais da sociedade sem que haja uma intervenção mais efetiva junto àquelas pessoas que hoje sofrem com a fome no mundo. Existem possibilidades de agir, seja atendendo algumas necessidades emergenciais, ou mesmo já criando condições para a emancipação efetiva dessas pessoas, e até engajá-las no processo de transformação da própria sociedade. Mas nós temos também a obrigação de pressionar o governo, seja municipal, estadual, federal, seja a instância internacional, no sentido de que os recursos públicos sejam de fato usados para a mudança desse quadro.

Sendo uma ação de caráter global, é possível sensibilizar as forças hegemônicas do planeta para isso?
FV ? Não creio, infelizmente, que vamos conseguir sensibilizar essas forças hegemônicas do mundo. A gente tem que construir a nossa própria força para se contrapor a elas. Não acredito na sensibilização daqueles que estão do ?outro lado?. A única coisa que os sensibiliza é o medo, às vezes, de estar perdendo o que têm.

O que o faz pensar dessa forma?
FV ? Essa não é uma luta fácil. Hoje nós vemos um avanço enorme do poder hegemônico mundial, que são os EUA, no sentido de que as duas últimas nomeações, por exemplo, da diretora geral do Unicef, e do presidente do Banco Mundial, indicam claramente o tipo de conjuntura internacional que estamos enfrentando. Uma fortemente ligada ao agronegócio, aos grandes interesses industriais, e outro, ao Pentágono, à industria bélica. Não são pessoas propriamente a favor da promoção do ser humano, mas de seus interesses próprios. É um quadro, de fato, preocupante.

Por que a realização de um evento desse porte no Brasil?
FV ? Com um quadro assim aumenta a nossa responsabilidade em nível internacional, seja do governo, seja da sociedade civil brasileira. Penso que essa iniciativa do governo brasileiro de buscar a constituição de uma frente internacional pela erradicação da fome no mundo é louvável, é uma posição corajosa, de contraposição, no plano internacional, à idéia de querer reduzir todos os problemas do mundo ao combate ao terrorismo, exclusivamente, como se esse fenômeno, o terrorismo, não tivesse, inclusive, causas sociais, com toda uma história de exploração, pobreza, miséria, e a própria violência cultural que sempre foi cometida por alguns estados.
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