Morreu na tarde de hoje (8), vítima de problemas cardíacos, aos 80 anos, o físico Cesare Mansueto Giulio Lattes, ou simplesmente Cesar Lattes.
Curitibano de nascimento, Lattes ficou conhecido mundialmente como um dos responsáveis pela descoberta do méson pi, a partícula subatômica que garante a coesão do núcleo do átomo. Entre aqueles com quem conviveu, o único físico brasileiro citado na Enciclopédia Britânica deixou sua marca de simpatia, extroversão, além da modéstia.
Entre as iniciativas que marcaram sua obra está a fundação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) ? instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A repercussão de seus trabalhos na sociedade brasileira serviu, ainda, como grande estímulo para a criação do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), em 1951. A partir de então, a ciência brasileira tem crescido significativamente. Em particular, atualmente é grande o número de institutos de física de excelência científica disseminados em nosso País.
No CNPq, seu nome foi dado à base de informação que reúne dados gerenciais e currículos de cientistas e pesquisadores de todo o País: a Plataforma Lattes.
"César Lattes foi essencial para a institucionalização do sistema de apoio à ciência e tecnologia no Brasil. Recebemos a notícia de seu falecimento com muito pesar. Perdemos um mito", afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos.
Publicação
O CBPF publicou há poucas semanas uma tese de Lattes que nunca chegou a ser apresentada. A obra "Observações sobre a componente eletromagnética de alta energia da radiação cósmica" foi revisada e editada pelos professores Ricardo Galvão e Alfredo Marques. "Foi uma homenagem que fizemos. Cesar foi um dos pioneiros no estudo de raios cósmicos", comentou Ricardo Galvão, que é diretor do Centro.
Também estava prevista uma homenagem ao físico durante a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em julho deste ano, em Fortaleza.