Os resultados do Programa de Alavancagem Tecnológica, criado para difundir conceitos de gestão industrial, combinando treinamento e consultoria na própria fábrica, serão divulgados nesta quinta-feira (27), às 15h, na sede do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do estado de São Paulo. O anúncio será feito pelos diretores do Sebrae-SP, da Associação Nacional de Pesquisa Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (Anpei) e de micro e pequenas empresas.
O programa atendeu, no período de novembro de 2003 a novembro de 2004, a 602 empresas, que foram beneficiadas em 69 projetos coletivos em várias regiões do estado de São Paulo. A formação de turmas levou em conta os arranjos produtivos de cada localidade, contemplando empresas dos setores de calçados, cerâmica, confecção, metal-mecânica, móveis e plástico-borracha.
O programa compacto - realizado em um mês - buscou alavancar tecnologicamente as empresas participantes pela transferência de conceitos e metodologias simples, para reduzir custos e tempo de produção e aumentar a produtividade por meio de processos de fácil implantação.
Além do empresário, um funcionário ligado diretamente à produção também pôde participar, já que após cada aula há uma tarefa de auto-implantação na indústria. O custo pela participação das duplas por empresa em todo o treinamento (quatro semanas) foi de R$ 200.
Módulos
O programa foi dividido em quatro módulos: estrutura do produto, visualizando o processo e identificando obstáculos para o balanceamento da produção; fluxo de fabricação, analisando o roteiro para racionalizar a produção; arranjo físico (layout), redistribuindo máquina e operadores para melhor aproveitamento dos espaços no chão de fábrica e, finalmente, programação e controle da produção, estabelecendo parâmetros para a definição do estoque, adequação da mão-de-obra e otimização da entrega da produção. Ao todo, foram seis aulas de quatro horas em três semanas e mais a consultoria na linha de produção.
Exemplos
A Lamarka, confecção com cerca de 25 funcionários, instalada no bairro do Brás, na capital, conseguiu reduzir o estoque de tecidos em quase um terço, após participar do curso. "Conseguimos implementar algumas tarefas sugeridas pelo curso e, no caso do estoque, a redução chega a 30%. Aquele dinheiro ficava parado, era um exagero, já que não havia como quantificar a necessidade da produção", afirma Simone Ribeiro de Macedo, encarregada de produção, que participou do treinamento juntamente com a gerente comercial da empresa.
A Estek Tecnologia, que produz lupas, focos de luz e vídeos microscópicos para apoio a médicos e esteticistas, conseguiu aumentar a produção de lupas de mesa. "Reduzimos consideravelmente o tempo de fabricação com mudanças muito simples", comemora o engenheiro Paulo Sérgio Espósito, diretor da empresa, que juntamente com o chefe de produção participou do treinamento. A Estek, com 30 funcionários, existe há 40 anos, mas há 10 anos desenvolve produtos de apoio à visão.
Espósito conta que a lupa de apoio de mesa com 90 componentes era montada individualmente em bancadas separadas. Cada funcionário montava a sua. Depois do curso, ele reuniu três funcionários numa mesma bancada e viu a produção saltar de duas para sete peças por hora.
Assessoria de Imprensa da Anpei