Um dos 177 projetos do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) selecionados entre 2003 e 2004, a pesquisa intitulada Novos Candidatos a Fármacos para o Tratamento de Doenças Incapacitantes de Grande Prevalência propõe um avanço no tratamento de artrite reumatóide, asma, isquemia cerebral e doença de Alzheimer. Com sede na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o programa tem como instituições parceiras a Fiocruz e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O núcleo terá um total de R$ 300 mil para investir nas pesquisas.
O coordenador do projeto, professor Eliezer Barreiro, defende a importância dos estudos elaborados por sua equipe, ressaltando que o desenvolvimento das Ciências Farmacêuticas no Brasil é item fundamental para a consolidação da soberania nacional. "Não pode ser soberana uma nação que utiliza, para tratar da saúde de sua população - seu patrimônio maior - fármacos que 'falam' todos os idiomas, menos o seu próprio", enfatizou.
Para viabilizar a execução do projeto, os laboratórios das três instituições participantes são integrados para o trabalho de docentes, pesquisadores, técnicos e alunos das três áreas do conhecimento: Ciências da Saúde; Biológicas e Exatas; e da Terra. Entre as equipes do projeto estão os laboratórios de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas (LASSBio), e de Química Bioorgânica do Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, e laboratórios dos departamentos de Farmacologia Básica e Clínica e Bioquímica Médica, do Instituto de Ciências Biológicas, e de Química Inorgânica, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além dos laboratórios de Inflamação da Fiocruz, e de Química Orgânica da UERJ. A atuação interdisciplinar, segundo o professor Barreiro, é essencial ao tipo de trabalho proposto.
A pesquisa abrange uma sub-área da Química Medicinal, buscando a descoberta de fármacos inovadores. O projeto engloba desde o desenho estrutural de novos padrões moleculares, dirigidos a alvos-terapêuticos específicos - enzimas ou biorreceptores propriamente ditos - relacionados com determinada fisiopatologia - doenças inflamatórias, doenças neurodegenerativas - até sua avaliação farmacológica em modelos in vivo, que permitam comprovar as propriedades farmacoterapêuticas desejadas, incluindo o estudo da eventual toxicidade aguda e as propriedades farmacocinéticas. Hoje, o LASSBio tem 985 novos compostos bioativos em diversos bioensaios, o que representa expressivo patrimônio estrutural.
Novos padrões moleculares
O objetivo do núcleo é buscar conhecimento novo em termos de novos padrões moleculares, capazes de auxiliar a compreensão de como intervir para ter medicamentos eficientes com propriedades reparadoras das causas das doenças. "Hoje, há tratamentos de controle - paliativo - sem atingir-se ao reparo efetivo das causas das fisiopatologias", explica o professor.
Os resultados obtidos até então são satisfatórios. Atualmente, o núcleo conta também com um projeto envolvendo universidade, uma empresa farmacêutica nacional e o Governo Federal, para um novo agente anti-inflamatório não-esteróide de segunda geração que está em fase final de ensaios pré-clínicos. A expectativa é de iniciar a fase 1 de ensaios clínicos em 2005. Outros projetos envolvendo empresas farmacêuticas nacionais estão sendo negociados para outras aplicações terapêuticas. Além disso, o LASSBio tem uma média de 12 publicações originais por ano, feitas em periódicos indexados com QUALIS de nível 1, e 10 patentes depositadas no País e no estrangeiro.
O Pronex
O Pronex é um instrumento de estímulo à pesquisa e ao desenvolvimento científico no País, por meio de apoio continuado e adicional aos instrumentos hoje disponíveis, a grupos de alta competência, que tenham liderança e papel nuclear no setor de sua atuação. O objetivo é que os núcleos pertencentes ao programa sejam capazes de funcionar como fonte geradora e transformadora de conhecimento científico-tecnológico para aplicação em programas e projetos de relevância ao desenvolvimento nacional.
Em 2003, atendendo à diretriz de descentralização da produção do conhecimento nacional, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) firmou parcerias com órgãos estaduais responsáveis pela área de Ciência e Tecnologia (Fundações de Amparo à Pesquisa ou Secretarias de Estado). Foram assinados convênios de cooperação que estabelecem a provisão dos recursos financeiros para o programa em partes iguais, pelo CNPq e pela entidade local, anualmente, por 3 anos. A entidade local passa a ser responsável pela execução, acompanhamento e avaliação dos projetos selecionados, cabendo ao CNPq a orientação às FAPs, assim como a supervisão e a avaliação final do processo.