A venda de imagens do satélite CBERS-2 (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) pode render ao Brasil e China cerca de U$ 2,5 milhões por ano. A estimativa ? baseada na experiência com outro satélite, o Landsat - foi feita a partir do interesse de pelo menos dez países em adquirir as imagens do satélite sino-brasileiro. A comercialização das imagens do CBERS foi um dos acordos acertados pelo Brasil, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e o presidente da China, Hu Jintao.
O chefe de governo chinês foi acompanhado pelo ministro Eduardo Campos, da Ciência e Tecnologia, em sua visita à sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao MCT, em São José dos Campos (SP), na última segunda-feira (15). "Os chineses se sentiram prestigiado pelo governo e pelo povo brasileiro. Acredito que esse sinal que o Brasil está dando será respondido por meio de um incremento da cooperação econômica e financeira com a China", avaliou o ministro Eduardo Campos.
Na visita, eles foram recebidos pelo diretor do instituto, Luiz Carlos Miranda, e pelo presidente da Agência Espacial Brasileira, Sérgio Gaudenzi. A comitiva conheceu as instalações do Laboratório de Integração e Testes (LIT), onde são integrados os satélites CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).
Imagens
Na última sexta-feira (12), foram assinados dois acordos complementares pelos dois países, que possibilitarão o desenvolvimento do CBERS-2B e a comercialização de suas imagens para outros países.
Um dos acordos esclarece as regras para a comercialização de imagens do satélite CBERS-2 com outros países, já disponíveis gratuitamente para Brasil e China. A intenção é promover a tecnologia espacial como instrumento para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A administração dos licenciamentos ficará a cargo das agências espaciais do Brasil e da China. Inicialmente, o Inpe será o responsável pela operacionalização do processo de licenciamento no Brasil.
Os dois países dividirão igualmente os retornos vindos dessas negociações. Já demonstraram interesse em obter o licenciamento para uso das imagens a Argentina, Venezuela, México, Itália e África do Sul, entre outros.
CBERS - 2B
O outro acordo define o desenvolvimento conjunto do satélite CBERS-2B, com lançamento previsto para 2006. Segundo o texto, a montagem, integração e testes do satélite serão realizados no Brasil e o lançamento, na China.
O CBERS-2B será uma alternativa de baixo custo pois serão utilizados equipamentos e peças remanescentes do CBERS-2, produzidas em duplicata por questões de segurança e contingência. A participação do Brasil no projeto será de 30%, ficando a China com 70%. Segundo esta proporção, o investimento brasileiro será de aproximadamente US$ 15 milhões, já incluindo os custos de lançamento. O custo total do CBERS-1 e CBERS-2 foi de US$ 118 milhões para o Brasil.
A vida útil projetada dos satélites CBERS é de dois anos. O CBERS-1 operou com sucesso até agosto de 2003. Em outubro de 2003, foi lançado o CBERS-2, uma réplica de seu antecessor. O lançamento do CBERS-3 está previsto para 2008.
Embraer
O ministro Eduardo Campos também acompanhou o presidente Hu Jintao em uma visita a Empresa Brasileira de Aeronáutica Embraer. A comitiva foi recebida pelo presidente Maurício Botelho e conheceu as instalações da companhia. Hu Jintao foi pesenteado com a réplica de um avião modelo ERJ-145, mesmo modelo que é produzido pela Embraer na China, por meio de uma
joint venture, que realiza vôos regionais. A comitiva pôde conhecer os galpões onde os aviões são montado e verificar os novos modelos em construção.
Com informações da Assessoria de Imprensa do Inpe.