Quatro projetos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), foram aprovados para participar do 2º Congresso Mundial de Educação Ambiental, que acontecerá nos dias 16 a 18 deste mês, no Hotel Glória, Rio de Janeiro. O evento contará com a participação de várias instituições de pesquisas que tratarão de assuntos relevantes para a conservação do meio ambiente global. Os projetos serão apresentados por meio de oficinas e palestras.
O INPA será representado pela pesquisadora Luiza da Conceição Sacramento, do Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental (LAPSEA/INPA), e Heloisa Stopatto, do Instituto Bennett (RJ). Elas irão apresentar os resultados das pesquisas e oficinas realizadas junto às comunidades no entorno das áreas verdes de Manaus (AM), que buscavam desenvolver um pensamento ecológico consciente. Os projetos foram orientados pela coordenadora do LAPSEA, Maria Inês Gasparetto Higuchi.
Luiza Sacramento irá apresentar o projeto Oficina de resíduos e educação ambiental com mulheres da Amazônia, que engloba três oficinas de conscientização das comunidades que moram no entorno do Bosque da Ciência, localizado no Campus Aleixo, e Reserva Adolpho Ducke, na zona Leste de Manaus. O programa teve início em 2002.
A primeira oficina, denominada Tocando Sementes Amazônicas, visou passar o conhecimento sobre a biodiversidade da região, abordando temas como a responsabilidade ambiental e o aproveitamento de resíduos que virariam lixo. O outro trabalho, chamado de Reaproveitamento de embalagens, desenvolveu junto com as comunidades do entorno da Reserva as possibilidades que o lixo pode oferecer como meio de produção de materiais de valores agregados. "Durante as oficinas foram utilizados serragem, casca de ovo e embalagens longa vida (feitas de plástico, alumínio e papelão). A intenção é ter um relacionamento mais próximo com as comunidades e desenvolver a conscientização ambiental nas crianças, jovens e adultos", ressaltou a professora.
Mesmo tendo sido aprovada para participar do Congresso, a terceira oficina Reciclando papel com arte, não poderá ser apresentada durante o Congresso Mundial. O motivo alegado é a falta de patrocínio, além dos gastos extras para levar o material para o Rio de Janeiro. "Infelizmente não temos verba para levar o material para apresentar a oficina no Congresso", disse Sacramento.
Heloisa Stopatto apresentará o projeto O fenômeno cuidado: um enfoque à psicologia ambiental, que consiste em uma palestra que trata sobre o cuidado ambiental na estratégia de mobilização dos moradores, ou seja, verificar se as oficinas que foram realizadas com as comunidades do entorno das áreas verdes desenvolveram nas pessoas um pensamento sobre os problemas ambientais. Os trabalhos iniciaram em outubro de 2003.
Segundo Stopatto, o motivo alegado pelas pessoas sobre a depredação das áreas verdes é a falta de condições básicas para poder viver, porque o Estado não oferece saúde, educação, moradia, entre outros. Para ela, a "arte" contribuíria para o resgate da auto-imagem dos moradores. "Durante as oficinas, os moradores perceberam a capacidade que cada pessoa possui para criar e gerar renda para a família, e o artesanato ajudaria, principalmente, porque elas precisam trabalhar em casa por causa dos filhos. Agora, falta apenas que instituições como o Sebrae desenvolvam programas para viabilizar e solidificar esse projeto", afirmou.
A comitiva viajará para o Rio de Janeiro na próxima sexta-feira (10), e será composta também pela pesquisadora do LAPSEA ,Genoveva Chagas de Azevedo Lima, que falará sobre a contribuição do LAPSEA para a formação dos professores na capital amazonense e pela bolsista do INPA, Maria Solange Moreira de Farias, que falará sobre os 10 anos do projeto "Pequenos Guias", que é um trabalho realizado com crianças de escolas públicas que moram no entorno do Bosque da Ciência.