A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, envia uma equipe nos próximos dias ao Amapá para inspecionar o material apreendido pela Polícia Federal entre Pedra Branca do Amapari e Porto Grande. Apesar da pequena quantidade de material radioativo existente nos 600 kg do minério apreendido, os técnicos da CNEN farão medições no local para certificarem-se que o material não oferece qualquer risco ao público ou ao ambiente. O material apreendido não serve para a fabricação de nenhum artefato nuclear.
A apreensão feita feita em 12/07/2004 trata-se da torianita, um mineral radioativo que possui 75% de Tório, 7,5% de Urânio e 10% de Óxido de Chumbo em sua composição. É um minério com uso comercial restrito, sem cotação no mercado internacional, economicamente inviável para extração de urânio e que é encontrado na beira de rios na forma de rochas. É possível que essa torianita fosse ser usada moída, com o objetivo de adulterar a tantalita, um minério usado na fabricação de óxido de tântalo, utilizado na produção de ligas especiais em tecnologia de ponta, e que tem significativa procura no mercado.
A torianita não é um material controlado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear devido ao baixo teor de radiação, à semelhança de outros materiais que apresentam porcentagens baixas de urânio e tório, como o concreto, as areias de Guarapari e algumas águas minerais.
A apreensão do material, ainda sem identificação, foi comunicada pela Polícia Federal à Comissão Nacional de Energia Nuclear em 20/07/2004. Em 02/08/2004, a CNEN recebeu uma amostra de 3 kg, quando então se constatou tratar de um mineral com Urânio e Tório em sua estrutura. No mesmo momento, foi encaminhada parte da amostra para análise mais detalhada que confirmasse qual o minério e quais as proporções de Urânio e Tório no mesmo. Essa análise demanda tempo e ficou pronta em 13/08/2004, confirmando tratar-se de torianita, com a composição indicada acima.
Por solicitação da Polícia Federal, a CNEN está programando um levantamento para dimensionar a ocorrência da torianita na área em questão, o que deve ocorrer dentro de algumas semanas, logo que se possa dispor dos meios necessários, uma vez que a região é de difícil acesso.