Rollemberg falou para uma platéia diversa na Amazontech.
19/08/2004 - 15:48
O secretário para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Rodrigo Rollemberg, falou nesta quarta-feira (18) sobre o tema Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Sustentável e Inclusão Social na Amazônia, no Amazontech 2004. O evento que acontece nesta semana, em Cuiabá (MT), reúne empresários, produtores rurais, pesquisadores, representantes de instituições governamentais e não governamentais, e estudantes.
Rollemberg explicou que a redução das desigualdades regionais por meio da desconcentração geográfica de ciência e tecnologia é uma das diretrizes estratégicas do MCT. ?O Norte e o Nordeste são duas regiões priorizadas pelas ações de nossa secretaria?, afirmou.
Um dos maiores desafios para a promoção do desenvolvimento regional, segundo Rollemberg, é aliar a modernização dos processos produtivos com a proteção ambiental da Amazônia. Para isso, ele acredita que será necessário o ordenamento territorial da região, a gestão ambiental e a produção sustentável com inovação tecnológica, tendo em vista a inclusão social.
O secretário reconheceu que duas das maiores demandas da região estão relacionadas a uma maior presença do Estado e o zoneamento ecológico-econômico. A dicotomia preservação da floresta versus avanço da soja e pecuária, afirmou, deve ser resolvida a partir do uso do conhecimento direcionado para as cadeias produtivas e à transformação da floresta em um potencial econômico.
Em relação às áreas já degradas da Amazônia, Rollemberg disse que a integração lavoura-pecuária poderia ser uma forma de aproveitamento dessas áreas, evitando a expansão das fronteiras agrícolas em direção à floresta.
Dos R$18,9 milhões aprovados neste ano pelo fundo setorial do Agronegócio (CT-Agro), o qual Rollemberg preside, R$ 2 milhões serão destinados para um programa de consórcio lavoura-pecuária, para recuperar áreas degradadas (pastagens) por meio de difusão de tecnologias e acompanhamento da Embrapa. Essa quantia, soma-se aos 30% do total arrecadado de todos os fundos setoriais destinados ao desenvolvimento regional do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O Programa de Tecnologias Apropriadas à Agricultura Família, ressaltou o secretário do MCT, está recebendo um aporte de R$ 10 milhões do CT-Agro. Desse total, a metade dos recursos será utilizada para a difusão de tecnologias já desenvolvidas pela Embrapa e que tenham grande impacto social. E o restante do dinheiro - R$ 5 milhões - será empregado na extensão universitária, visando a difusão de tecnologias apropriadas à agricultura familiar, a qualificação profissional dos estudantes e o desenvolvimento de projetos comunitários. O edital para a extensão universitária está aberto e encontra-se disponível no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência de fomento do MCT.
Entre as várias ações da Secretaria para Inclusão Social, que envolvem a região amazônica, Rollemberg destacou o incentivo dado à implantação e ao desenvolvimento de arranjos produtivos locais (APLs).
Vinte e dois projetos cooperativos oriundos dos APLs da região Norte já foram contratados com recursos do fundo setorial Verde Amarelo, no valor total de R$ 7,6 milhões. Como exemplo desses arranjos selecionados, Rollemberg citou o de piscicultura, madeira e móveis , oleiro-cerâmico, ourivesaria e gemas, extrativismo (castanha do Pará, borracha e copaíba), fruticultura (frutas tropicais e regionais), apicultura, fibras naturais e fitofármacos/cosméticos.