Um breve panorama das pesquisas sobre as línguas nativas do Brasil, do papel do governo no seu mapeamento e dos programas de documentação. Esses são tópicos de apresentação que a doutora em linguística Ana Vilacy Galúcio, coordenadora de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG/MCTI), fará na Reunião de Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação 2013 (World Summit on the Information Society – WSIS+10) que começa na segunda-feira (25) em Paris.
Única brasileira participante da reunião, a pesquisadora é convidada da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no evento anual. Ela apresentará o trabalho Diversidade Linguística no Brasil: Situação Atual e Perspectivas.
“A situação das línguas indígenas ainda é preocupante porque justamente as línguas mais ameaçadas são as mais prováveis de serem desconhecidas cientificamente”, observa Ana Vilacy. Ela coordena, no Museu Goeldi, a implementação do Centro de Documentação Permanente de Línguas e Culturas Indígenas da Amazônia e a construção de um acervo digital para línguas amazônicas.
De acordo com a coordenadora, um dos estímulos para essa área de pesquisa no Brasil foi a presença de projetos apoiados por grandes programas internacionais como o DoBes Documentation of Endangered Languages (Dobes) e o Endangered Languages Documentation Programme (ELDP). Esse apoio, comenta, teve impacto duradouro em diversas frentes.
Um dos resultados recentes é a implantação de iniciativas específicas como o Programa de Documentação de Línguas Indígenas (Prodoclin), iniciado em 2009 pela Fundação Nacional do Índio (Funai/MJ) por meio do Museu do Índio, e a criação do Grupo de Trabalho para a Diversidade Linguística (GTDL) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC).
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Texto: Silvia de Souza Leão – Agência Museu Goeldi