C A-    A+ A    A    A
   buscar    busca avançada Mapa do site Fale Conosco  
   

imagem
Institutos de pesquisa do MCTI participam de projeto internacional
Clique para ver todas as fotos de Institutos de pesquisa do MCTI participam de projeto internacional
Pesquisadores do DES vão tentar desvendar mistério da expansão acelerada do universo e sua relação com a energia escura. Foto: Site do LineA
14/11/2012 - 17:50
A expansão acelerada do universo está ocorrendo por causa da energia escura? Para desvendar esse e outros mistérios da vida, quatro institutos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o Observatório Nacional (ON), o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) – se reuniram no Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LineA) para estudar o fenômeno, por meio do projeto internacional Colaboração Dark Energy Survey (DES) – ou Levantamento da Energia Escura.

O primeiro passo importante para o mapeamento do céu foi dado, no início deste mês, com a entrada em operação da câmera DECam – com 570 megapixels de resolução – acoplada ao telescópio Blanco, no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile. A expectativa dos astrônomos é de que, nos próximos cinco anos, deverá estar concluído o mais amplo levantamento fotométrico do Hemisfério Sul pelo DES.

Para o físico, pesquisador do CBPF e representante da instituição no projeto internacional, Martín Makler, “com o mapeamento de 5 mil graus quadrados do céu em grande resolução pela DECam, que utiliza cinco filtros ou cores, será possível identificar cerca de 400 milhões de galáxias e milhares de supernovas, inclusive com uma estimativa de sua distância e sua forma”.

Makler observou que os princípios da física e o modelo de observação atuais são insuficientes para compreender o grande volume e diversidade de informações sobre o cosmos. “Mas, se colocarmos apenas uma pecinha, chame de energia escura ou constante cosmológica, tudo se encaixa perfeitamente”, afirmou. “Queremos saber agora o que é essa pecinha, suas propriedades, e se há explicação melhor para as mudanças gravitacionais e a heterogeneidade do universo, entre outras possibilidades”, explicou.

Ao considerar a energia escura uma das dez maiores perguntas da ciência, o pesquisador do CBPF acrescentou que o DES também “fornecerá um mapa, ou melhor, imagens do céu com uma combinação de área, profundidade e resolução sem precedentes, trazendo informações em quase todas as áreas da astronomia e da astrofísica”, previu.

A Colaboração DES, que teve início em 2004, é um projeto decorrente do interesse de diversas instituições internacionais de pesquisa em conhecer melhor a energia escura. Um ano depois, Makler propôs a participação brasileira na iniciativa, quando então foi criado um consórcio de pesquisadores, liderado pelo pesquisador do ON, Luiz Alberto Nicolaci da Costa, que atua na coordenação do grupo e no levantamento dos recursos.

Oportunidade

De acordo com Makler, a participação brasileira no DES significa a oportunidade de trabalhar em um projeto de ponta, com ampla inserção internacional e que abre espaço ao desenvolvimento de infraestrutura específica e à formação de recursos humanos, tanto na área científica (mestres, doutores) quanto técnica, para lidar com o enorme volume de dados a ser gerado pelo projeto.

“Esses recursos humanos podem ser úteis, tanto na área de pesquisa, quanto para empresas de base tecnológica, em especial em tecnologia da informação. Ou seja, é a oportunidade de produzir ciência de primeira linha e contribuir para o desenvolvimento do país”, comentou o pesquisador do CBPF.

Como membro do DES, o Brasil está presente em todos os comitês do projeto (gerenciamento científico, de publicações, gerenciamento dos dados e organização das reuniões). No plano técnico, Makler observou que a dificuldade é ainda maior, pois há necessidade de mão de obra em tecnologia da informação que domine o gerenciamento de grandes volumes de dados (conhecido como "Big Data"), tanto na parte de software quanto de hardware e que, ao mesmo tempo, esteja pronta para abordar problemas totalmente inovadores e com ótica na pesquisa.

Ao observar que há escassez de mão de obra qualificada no mercado nacional, o pesquisador admite que há poucas instituições de ensino de pós-graduação no Brasil nas áreas de instrumentação científica e TI. “Para tentar preencher essa lacuna, o CBPF criou um programa de mestrado profissional em instrumentação científica”, afirmou Makler.

Liderança

O ON lidera a infraestrutura de desenvolvimento de software e por pesquisas relacionadas a quasares (objetos celestes siuados no núcleo das galáxias), evolução de galáxias, aglomerados de galácticos, estrutura em grande escala do universo e estrutura da Via Láctea. O observatório também desenvolve uma infraestrutura computacional para armazenamento, processamento, análise e distribuição de dados

O CBPF responde pelos estudos em lentes gravitacionais e do processamento de imagens com arcos gravitacionais, além de formar pós-graduandos (iniciação científica, mestrado, doutorado). Por duas vezes, o centro ofereceu cursos sobre lentes gravitacionais, voltados às áreas do DES, do qual participa em três comitês: científico, da câmera de palestrantes e organizador das reuniões do DES. O instituto de pesquisa também realiza pelas simulações de arcos gravitacionais no processo de simulações de imagens do DES.

Cabe ao LNCC desenvolver técnicas de gerenciamento, integração e análise dos catálogos de objetos estelares, que possuem bilhões de objetos e suas descrições fotométricas e astrométricas. O resultado é a formação de uma enorme matriz de dados que será analisada, mediante o uso de técnicas avançadas de particionamento de dados (distribuição da infomação em vários lugares, para depois recuperá-la) e atividades em workflows científicos (operações de análise de dados).

Já a RNP disponibilizará infovias (estradas eletrônicas por onde flui todo tipo de informação, em forma de texto, som ou imagem, entre um ponto gerador e diferentes pontos receptores)  para conexão direta entre pesquisadores e o centro de dados do observatório chileno.

Pesquisadores de outras instituições associadas ao LIneA, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Instituto de Fisica  da Universidade de São Paulo (IF/USP) e o Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (IFT/Unesp), também coordenam grupos de trabalho, especialmente para o estudo da estrutura de nossa galáxia e da área teórica, além de contribuir com toda a infra-estrutura do projeto DES.

Leia mais.

 
Texto: Ascom do CBPF - Ascom do ON

Outras Imagens
Detalhe da área central da Via Láctea. Foto: Site do UOL
Detalhe da área central da Via Láctea. Foto: Site do UOL
Esplanada dos Ministérios, Bloco E,
CEP: 70067-900, Brasília, DF Telefone: (61) 2033-7500
Copyright © 2012
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação