A ministra da SPM, o secretário do MDA, o presidente do CNPq e, ao microfone, o ministro Raupp. Foto: Giba/Ascom do MCTI
"A contribuição e o sentimento da mulher em seus ambientes, familiar e de trabalho, devem ser abordados e compreendidos.” A avaliação é do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, que participou nesta quinta-feira (11) do lançamento da 4ª Chamada do Edital Relações de Gênero, Mulheres e Feminismos, com recursos estimados em R$ 8 milhões.
Também participaram do ato, no MCTI, a ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Eleonora Menicucci, o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Laudemir Müller – a iniciativa é conjunta com as duas pastas –, e o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), Glaucius Oliva.
O objetivo da Chamada 32/2012 é contemplar a intersecção das abordagens que envolvam classe social, geração, raça, etnia e sexualidade, além de temáticas específicas do campo e da floresta. “As mulheres representam 52% da população brasileira e são mães da outra metade. Dentro deste contexto devemos olhar para a diferença de gêneros”, destacou Eleonora. Para o ministro Raupp, “essa parceria é muito importante porque estamos tratando de nossas mães, irmãs e filhas”.
O secretário executivo do MDA, por sua vez, destacou a relevância da atenção específica ao contexto agrícola. “Uma agricultura familiar ativa representa uma distribuição de renda mais justa no meio rural e para ter esse alcance é necessário olhar para as relações de gênero”, defendeu.
Foco inédito
Esta é a quarta chamada pública do Programa Mulher e Ciência, coordenado pela SPM. É a primeira lançada pelo governo federal para entender a vida da mulher dentro da interlocução entre família e carreira, no campo e na floresta. “Para a SPM esse é um dos programas prioritários”, disse a titular da secretaria.
Segundo Marco Antonio Raupp, o tema diz respeito e é de interesse da comunidade científica. “Isso fica claro no aumento do investimento e do número de projetos gerados pelo programa. O entendimento da diferença de gêneros ainda pode servir de incentivo para outros ministérios investirem em políticas destinadas às mulheres.”
Em 2005, foram 130 propostas aprovadas. Em 2008, na chamada seguinte, 173 projetos, e 208 em 2010 – um total de 511. “A diversidade dos temas abordados nos projetos das chamadas anteriores é fantástica”, comentou Glaucius Oliva.
A ministra Eleonora destacou dois projetos que interferiram diretamente nas políticas públicas do país. “Um no Nordeste, quando da criação da Delegacia dos Direitos da Mulher. Sua atuação demonstrou que não bastou a implantação, foi necessário o entendimento de uma realidade local, assunto abordado no estudo”, lembrou.
“O outro, no Sudeste, avaliou a assistência obstétrica no atendimento a violência sexual. Os médicos e enfermeiros foram avaliados. Em ambos os casos, as pesquisas resultaram em mudanças de procedimentos ou dos protocolos de atendimento”, enfatizou.
Ela destacou, ainda, que sua pasta pretende avançar para o programa Ciência sem Fronteiras (CsF): “É nossa próxima investida”. O presidente do CNPq apoiou a iniciativa. “Nós precisamos da sensibilidade e energia das mulheres para avançar em busca de um país mais justo e competitivo”, disse.
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Texto: Ricardo Abel – Ascom do MCTI