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Ipea: crescimento econômico dinamiza programa espacial brasileiro
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Comunicado Ipea
11/07/2012 - 12:00
“O processo de crescimento econômico recente do Brasil coloca o país em posição privilegiada para um processo de estruturação da demanda que aja como elemento dinamizador do Programa Espacial Brasileiro e, consequentemente, da indústria espacial local”.

É o que observa o estudo “Desafios e oportunidades para uma indústria espacial emergente: o caso do Brasil”, divulgado nesta quarta-feira (11) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que faz, no entanto, uma ressalva. “É fundamental garantir a efetividade das ações em setores como agronegócio, planejamento e uso da terra, energia, construção civil, saúde e educação para a sustentabilidade do processo de desenvolvimento, as quais podem ser beneficiadas por meio da maior intensidade de utilização de aplicações espaciais”.

A publicação avalia, porém, que no Brasil, “embora haja crescentes demandas de vários atores – órgãos do governo, universidades e centros de pesquisas, organizações não-governamentais, empresas de prestação de serviço de geoinformação, imprensa, empresas pertencentes a variadas indústrias – não se observa a sistematização dessas necessidades com vistas a orientar o planejamento de médio e longo prazo do setor (espacial)”.

Quanto ao perfil desse segmento, o trabalho do Ipea considera que o país “encontra-se em um estágio ainda inicial no desenvolvimento de uma indústria espacial, as firmas identificadas concentram-se em torno da fabricação de subsistemas e componentes de satélites, lançadores, e fornecimento de bens e serviços para a infraestrutura de lançamento e de serviços de solo.

O estudo – apresentado pela técnica de Planejamento e Pesquisa Flávia de Holanda Schimdt, com a mediação do assessor técnico da Presidência Murilo Pires, na sede do Ipea, em Brasília – avalia, ainda, que “o setor passa por um movimento de transformação do atual cenário de tecnologia, impulsionada pela indústria e agências espaciais para uma situação em que ele é cada vez mais orientado pela demanda, exercida pelos operadores e pelas comunidades de usuários, o que tem trazido maior permeabilidade dos produtos e serviços espaciais em diversas áreas”. 

Demanda pública

Para o Ipea, o mercado nacional possui uma demanda que decorre, majoritariamente, de entidades públicas e é baseada em recursos públicos, “como no caso da pesquisa científica e das necessidades militares, da previsão do tempo e da observação da Terra em geral”. Segundo a instituição, “mesmo nas exceções a essa situação, como as telecomunicações, a difusão de TV e as imagens da Terra em alta resolução, grande parte das firmas tem a sua estabilidade sustentada por pedidos do setor público”.

Os indicadores de mão de obra apontam a qualificação diferenciada e o potencial de produtividade dessas firmas em relação às médias nacionais. O salário mensal médio pago no setor é de R$ 2,5 mil. Da mesma forma, fica patente a qualificação do pessoal na observação dos indicadores relacionados à escolaridade, quando as firmas em tela apresentam média de 11,6 anos de estudo dos funcionários, o que já é uma justificativa possível para a elevada renda média observada.

O nível tecnológico das firmas pode ser ainda observado a partir do percentual de engenheiros, cientistas e funcionários com ensino superior. Os engenheiros chegam a ser quase 9% do pessoal ocupado no setor. O pessoal com ensino superior é de 37% do total empregado pelo conjunto de firmas.

No que se refere à distribuição de empresa do setor espacial no país, a tabela abaixo mostra grande concentração no estado de São Paulo (77,8%) ou 119 firmas, seguido de longe pelo Rio de Janeiro (6,5%), com dez firmas, vindo depois Minas Gerais e Maranhão, com 3,9% cada, ou seis firmas.

 

Distribuição territorial das firmas - indústria espacial
      
UF Número de Empresas % do total de firmas
DF 1 0,7%
ES 1 0,7%
SC 2 1,3%
PR 3 2,0%
RS 5 3,3%
MA 6 3,9%
MG 6 3,9%
RJ 10 6,5%
SP 119 77,8%
  
Fonte: RAIS/TEM

Texto: Ascom do MCTI - Site do Ipea

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