“A pós-graduação é o motor para o crescimento da pesquisa brasileira”. A avaliação foi feita pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, em palestra sobre “Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional”, proferida durante o "Colloquium diei", no auditório Professor Sérgio Mascarenhas, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).
Quanto aos desafios para o aperfeiçoamento da pesquisa no país, Oliva avaliou que “os pesquisadores brasileiros devem se preocupar mais com a qualidade, o impacto e a relevância dos artigos científicos publicados”. Para ele, “o foco das pesquisas deve ser voltado aos problemas nacionais e à melhoria na comunicação dos centros de pesquisa e universidades com a sociedade”.
na avaliação do presidente do CNPq, é necessário ampliar o número de pesquisadores para que o país tenha melhores condições de competir mundialmente nas áreas de desenvolvimento científico e tecnológico. Segundo ele, dados da Capes indicam que “o número de patentes brasileiras, quando comparado ao de outros países do globo, é baixíssimo. O número de pesquisadores por milhões de habitantes, no país, fica muito aquém da média mundial. Suíça, Alemanha, Canadá e EUA formam muito mais doutores que o Brasil”, afirmou.
Oliva também apontou a ciência aplicada como uma área que carece de investimentos no país. “Apenas 5% dos doutores brasileiros em pesquisa trabalham em empresas, no Brasil. Nos Estados Unidos (EUA), o percentual de pesquisadores que trabalham em empresas sobe para 40%. Para alterar esse quadro, algumas empresas nacionais inauguraram centros de pesquisa dentro das universidades. Isso já foi feito pela Embraer, Petrobrás e Embrapa”, afirmou.
Embora admita a importância do aumento do número de pessoas com formação superior no país nos últimos anos – conforme dados levantados pelo CNPq e pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – Glaucius Oliva entende que “o ensino básico brasileiro é o maior desafio para uma melhoria da qualidade da educação, pois só através de investimentos na educação básica será possível reter os estudantes nas escolas até o final”.
Ao apresentar dados comparativos sobre a evolução da ciência no Brasil nas últimas seis décadas, Oliva considerou que o cenário de pesquisa e inovação no país começa a melhorar, pois é considerável o aumento da produção científica e da formação de mestres e doutores no país.
Estudo apresentado pelo CNPq destaca que, em 2010, já havia 27.523 grupos de pesquisa instituídos no país nas diversas áreas do conhecimento e que o número de publicações científicas aumentou de 11% em relação ao ano anterior, com elevação da oferta de cursos de mestrado e doutorado por instituições de ensino superior. Nos anos 50, lembrou o presidente do conselho, a situação era outra: “Havia poucos cientistas no Brasil, o ambiente de pesquisa nas universidades era quase inexistente e a cultura de inovação nas empresas não era sequer cogitada”.
Leia mais.
Texto: Ascom do MCTI - Ascom do CNPq