|
22/07/2011 - 18:17
A quarta edição do ConsCiência colocou em debate os conceitos de “ocupação” e “invasão”. O encontro, que reúne pesquisadores, jornalistas e estudantes de Jornalismo, é organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), por meio de sua Divisão de Comunicação Social. A discussão foi nesta quinta-feira (21), no auditório da biblioteca do Inpa Campus I.
Compuseram a mesa a assessora do Inpa Tatiana Lima, o pesquisador Reinaldo Correa e o jornalista Alvaro Corado.
Correa iniciou o debate com uma breve explicação sobre a diferença dos termos, afirmando que “invasão” é uma expressão carregada de preconceitos e que o correto a ser empregado no contexto social seria “ocupação ilegal de terras”.
A diferença no emprego dos termos, avaliou, é revelada quando o foco do discurso é o fator econômico. “No processo de formação econômica de Manaus, o chão tem preço. Com valorização do metro quadrado na cidade, as ocupações sem infraestrutura continuarão a ser tendência em Manaus", frisou o pesquisador.
Relatório
Correa apresentou ainda um relatório parcial de suas pesquisas, realizadas desde 2004, além de imagens de algumas comunidades, de zonas periféricas da cidade, em situação de risco. Ele disse que “invasão” se transformou num termo que marginaliza moradores de áreas ocupadas ilegalmente. Mas o pesquisador ressaltou: “Em todo canto do mundo, não importa a cidade, existe área de risco".
O jornalista convidado, Álvaro Corado, falou sobre seu papel, no jornalismo, com a cobertura das “invasões” em Manaus e discordou do pesquisador. Para Corado, "não há dificuldade em distinguir os termos ‘invasão’ e ‘ocupação ilegal’ de terra, pois invasão é invasão, e invasão é crime".
“A gente não pode, isso na minha opinião como jornalista, apoiar a invasão e a destruição de áreas, o que é diferente da ocupação que acontece, muitas vezes, logo após a invasão. Faz-se a invasão, destrói-se tudo e depois se começa a lotear para formar os bairros”, explica.
Segundo a mediadora do debate, Tatiana Lima, é importante frisar a contradição desses conceitos. “A gente entende tudo que está escrito como certo e vai engolindo as informações. Precisamos ter massa crítica para analisar isso e perceber a contradição do discurso, dessas informações”, destacou a jornalista.
Contudo, o ponto principal, frisado por todos os participantes do debate, é o investimento na política pública e na cobrança que deve ser feita pela população, que na maioria dos casos se mantém aquém das decisões políticas. "As políticas públicas devem beneficiar a quem? É importante definir", enfatizou Correa.
O ConsCiência é um evento realizado mensalmente pelo Inpa. Tem como finalidade debater temas ligados à produção e divulgação científica.
|