Foto: Divulgação MCT - Alunos da edição 2010 serão premiados nesta terça
Se destacar entre 19,6 milhões de pessoas não é uma tarefa simples ainda mais para um menino de 15 anos. Henrique Gasparini do Nascimento é um dos cincos estudantes que se consagraram pentacampeões da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).
Apesar de ser medalhista de ouro desde a segunda edição da Olimpíada, Henrique não se considera um gênio. “Eu tenho muita facilidade de aprender e entender como a matemática funciona”, explica o garoto que mora em Brasília. O segredo, segundo o pentacampeão, é estudar todos os dias e sempre querer saber mais. “Os professores ensinam o que vai cair nas provas e o que devemos saber para o nosso dia-a-dia. Quanto mais dedicação mais conhecimento é absorvido”, garante.
A Olimpíada influenciou o jovem garoto a escolher a profissão que deseja seguir. De acordo com Henrique, a área de exatas sempre foi sua paixão. E o gosto pelos números o direcionou para as engenharias. “Ainda não me decidi qual engenharia vou cursar. É certo que vou trabalhar com números e cálculos”, disse o adolescente que também gosta de química e ficou em terceiro lugar na Olimpíada Brasileira de Química em 2010.
Estímulo aos jovens
Com mais um engenheiro a caminho, a Obmep se credencia como uma das melhores ferramentas para atrair a atenção dos jovens e formar profissionais na área de exatas. “Todos sabem que há um déficit nessa área, como por exemplo nas engenharias. O papel principal da Obmep é estimular os jovens e mostrar que os cálculos não são monstros”, afirma o diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Ildeu Moreira.
A cada ano aumenta o número de inscrições na Obmep. Em 2010, participaram cerca de 19,6 milhões de estudantes de 44,7 mil escolas públicas. O certame abrange 99,16% dos municípios brasileiros. Pesquisas do MCT e do Ministério da Educação mostram que cerca de 70% dos pais afirmam que o interesse dos filhos aumentou devido a participação na Obmep.
Obmep Social
Entre os milhões de inscritos há casos em que a matemática extrapolou o campo da disciplina escolar e atuou como ferramenta de inclusão social. Em Feira de Santana, na Bahia, Guilherme Nunes Portugal descobriu a paixão pela matemática enquanto cumpria pena socioeducativa na Casa de Atendimento Juiz de Melo Matos (Case).
O menino demorou a acreditar que seria premiado. De acordo com a diretoria da Case, ele ficou espantado, alegre e encantado com a notícia. Na pequena cidade de Senador José Bento, no sul de Minas Gerais, com 3 mil habitantes, Laura Ribeiro Franco, de 13 anos, foi a única medalhista de ouro na Olimpíada Brasileira das Escolas Públicas em 2010.
A jovem tem deficiência visual completa e usa um notebook para aprofundar os conhecimentos e se preparar para a Obmep. “Eu amo matemática. A Obmep foi um incentivo para que estudasse mais”, diz.
Em São Paulo, outro caso de sucesso. Gerson Tavares de Souza, atualmente com 20 anos, participou da Obmep entre 2005 e 2008. Foi medalhista de ouro em todas as edições e se consagrou o primeiro tetracampeão da competição.“Costumo dizer que dei sorte. Tenho um talento que descobri e desenvolvi com esforço graças à Obmep”, conta o jovem que hoje cursa engenharia elétrica na Universidade de São Paulo (USP).
Gerson é filho de um vidreiro e de uma empregada doméstica. Ele sempre estudou em escolas públicas e cursou o ensino médio à noite por causa de um emprego que conseguiu numa empresa de automação industrial. Graças ao empenho e os bons resultados obtidos, o estudante foi convidado a participar do Programa de Iniciação Científica e Mestrado (PICME).
Premiação 2010
Nesta terça-feira (21), os vencedores da 6ª edição da Obmep serão premiados. A cerimônia contará com a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff, dos ministros da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, da Educação, Fernando Haddad, do governador do Estado do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e do prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.
O evento acontece no Teatro Municipal do Rio de Janeiro às 14h30. A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas é realizada pelos ministérios da Ciência e Tecnologia, da Educação e pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA/MCT). O evento conta ainda com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).
História da Obmep
O projeto surgiu em 2004. As provas são dirigidas a alunos de 5ª à 8ª do ensino fundamental e do ensino médio tanto municipal e estadual. A primeira olimpíada de matemática foi em 2005, com a participação de 10,5 milhões de alunos, de 31 mil escolas; a segunda teve 14 milhões de estudantes, de 32 mil escolas; na terceira, as inscrições subiram para 17,3 milhões de alunos, de 38 mil escolas. Em 2008, as inscrições superaram a barreira de 18,3 milhões de alunos e 40 mil escolas e em 2009 atingiu a marca de 19,1 milhões de estudantes de 43 mil escolas públicas.
A Obmep é um projeto que tem como objetivo estimular o estudo da matemática e revelar talentos na área. Os sucessivos recordes de participação fazem dela a maior olimpíada de matemática do mundo. Todos os alunos inscritos em escolas públicas municipais, estaduais e federais brasileiras podem participar.
Ela é muito mais que uma premiação, é uma iniciativa que propicia um ambiente diferente e motivador na escola. Os alunos têm contato com questões interessantes e desafiadoras da matemática e são estimulados a trabalhar em grupo. Também faz parte da competição a empolgação da torcida pelo desempenho da escola, a gostosa expectativa pela divulgação dos resultados e a animação com as festas de premiação.