Crédito: Lecino Filho - Reunião da CTNBio para discutir feijão geneticamente modificado
Pesquisadores, cientistas e a sociedade em geral tiveram a oportunidade de conhecer o feijão transgênico desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e que está em análise na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para liberação comercial. O encontro, que serviu para discussão dos posicionamentos favoráveis e contrários, aconteceu ontem (17), em Brasília, na sede da Embrapa. A variedade produzida é resistente ao mosaico dourado, doença que causa o amarelecimento das folhas, nanismo, deformação das vagens e grãos e, ainda, abortamento das flores.
Em função desse vírus, estima-se que cerca de 200 mil hectares de terra no país, por onde a doença já passou, localizados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, estejam condenados para o cultivo do feijoeiro. Para chegar a variedade pretendida, foram feitos inúmeros cruzamentos, o que gerou 22 linhagens. Dessas, apenas duas se mostraram resistente à praga. De acordo com o pesquisador da Embrapa, Francisco Aragão, o organismo está em estudo a pelos menos 10 anos e, com isso, vários testes no meio ambiente foram realizados, com autorização da CTNBio. “Os experimentos foram realizados em unidades da empresa localizadas em regiões que respondem por 90% da produção brasileira de feijão”, disse.
Aragão explicou ainda que as primeiras tentativas foram realizadas pelo método convencional, através da polinização. “Entretanto, não conseguimos obter a resistência que o organismo modificado geneticamente proporcionou. As perdas originárias da doença, no Brasil, daria para alimentar entre 9 e 20 milhões de pessoas”, enfatizou. O pesquisador acrescentou que a primeira variedade a ser comercializada será o popularmente conhecido carioquinha, mas, que, no futuro, o feijão preto, entre outros.
Sobre uma possível cobrança de royalties, o pesquisador explicou que outras mudas de feijão produzidas pela Embrapa não tem esse tipo de cobrança, entretanto, a respeito do feijão geneticamente modificado, ele disse que somente após uma possível aprovação comercial pela CTNBio é que o item pode ser analisado.
Ainda de acordo com o pesquisador, os grãos foram submetidos à análise para determinação de teores de açúcares, vitaminas, minerais, aminoácidos, proteína total, extrato etéreo, ácido fítico e inibidores de tripsina. Os resultados mostraram que o feijoeiro Embrapa 5.1 é nutricionalmente semelhante aos feijoeiros não-geneticamente modificados cultivados no país. Também foram realizados estudos de alimentação de animais com o feijão Embrapa 5.1, os quais não mostraram alterações em relação aos animais que foram alimentados com o feijoeiro parental não-GM.
Tramitação
O processo encontra-se na CTNBio há alguns anos. Todos os testes em laboratório e, em campo, foram concedidos pela Comissão. O último passo é a análise nas setoriais Vegetal e Ambiental e Saúde Humana e Animal. A discussão entre os membros tem acontecido dentro dos prazos pré-determinados. Falta apenas o posicionamento dos relatores, com a produção de quatro relatórios para cada setorial e também dois relatórios consolidados, um para uma das câmaras (é considerada uma câmara de análise, por exemplo, a Setorial Vegetal e Animal. Caso os relatórios sejam concluídos até a próxima Reunião Ordinária da CTNBio, marcada para o dia 16 de junho, a variedade entrará na pauta de votação.