Crédito: Lecino Filho - Presidente da Cnen, Odair Gonçalves, fala na Câmara dos Deputados
23/03/2011 - 15:30
As diferenças geológicas e de características entre as usinas nucleares do Brasil e do Japão foram utilizadas como justificativa em defesa do Programa Nuclear Brasileiro em audiência pública, realizada hoje (23), pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Representantes da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e da Eletrobras Termonuclear (Eletronuclear) apresentaram a estrutura do sistema implantado no Brasil, bem como as medidas já utilizadas e em estudo para garantir a segurança e a melhoria do sistema.
A audiência promovida pela Comissão de Minas e Energia teve por objetivo discutir os projetos de construção de usinas nucleares no Brasil e a situação das usinas Angra 1 e 2 que já estão em funcionamento. O debate foi sugerido diante da preocupação manifestada por parlamentares, após o vazamento radioativo na Usina de Fukushima no Japão, como consequência de um dos maiores terremotos registrados no País.
O presidente da INB, Alfredo Tranjan, mostrou aos deputados detalhes do funcionamento das Usinas de Angra 1 e Angra 2, além das metas para ampliação do setor. Ele explicou que o Brasil trabalha com um sistema moderno e de gestão integrada, “que assegura a melhoria contínua da segurança e saúde, qualidade e preservação do meio ambiente e inovação”, além de seguir orientações de especialistas e certificações internacionais.
O presidente da Cnen, Odair Gonçalves, esclareceu dúvidas relacionadas aos possíveis riscos à saúde no caso de exposição à radiação. Em quadro demonstrativo, ele explicou que as ações implantadas no Japão foram preventivas, pois a possível radioatividade local estaria abaixo dos níveis de gravidade e próximo do nível de exposição permitido à população para a realização de procedimentos comuns para diagnóstico, como a tomografia.
Odair disse que o Brasil acompanha o desenrolar dos acontecimentos no Japão e aguarda dados mais concretos e consistentes, no sentido de evitar atitudes precipitadas. “Até onde nós sabemos não existe similaridade e não é possível comparar com o Brasil. Vamos estudar o assunto e se forem formuladas orientações, vamos seguir”, afirmou.
Gonçalves lembrou que essa é uma decisão de governo e que a Cnen presta assessoria governamental na área. “Não existe razão para mudança no Programa Nuclear Brasileiro. O que está acontecendo na Alemanha, de fecharem usinas, é uma questão política”, argumentou.
O presidente da Eletronuclear, Othon Silva, lembrou que o Brasil está no meio de uma grande placa tectônica, o que torna mais improvável a ocorrência de um terremoto com a mesma magnitude do evento registrado no Japão. Silva também falou dos planos de emergência adotados no Brasil e das iniciativas em estudo para serem adotadas no caso de acidentes, como evacuação por mar e a criação de quadras poliesportivas para que sejam utilizadas como helipontos no caso de necessidade.
“Agregar energia na nossa matriz de energia elétrica é fundamental para a transformação deste País. Não podemos nos dar o luxo de descartar a energia nuclear e nem usá-la de forma irresponsável, colocando em risco a nossa população. É um momento de reflexão, de aprendizagem e de humildade”, concluiu o presidente da Eletronuclear.