O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE/MCT) investe em soluções que permitam o desenvolvimento de uma agricultura de cana-de-açúcar mais produtiva e sustentável, já que este setor concentra 70% do custo de produção do etanol brasileiro. As investigações envolvem novos conceitos de plantio, colheita e mecanização da cultura da cana em parceria com empresas do setor.
Na última sexta-feira (18) o CTBE recebeu a visita da Máquinas Agrícolas Jacto, empresa parceira com larga experiência na produção de maquinário agrícola para café e laranja, que vai participar da construção do protótipo de um equipamento batizado com o nome de Estrutura de Tráfego Controlado (ETC). A máquina deverá reduzir o tráfego de maquinário sobre o canavial de 60% para cerca de 10%, diminuindo assim o custo com combustíveis e a compactação do solo, além de propiciar um melhor aproveitamento da água da chuva.
O projeto está orçado em R$ 16 milhões. A Jacto participa com 10% deste valor, o CTBE com outros 10% - na forma de horas de trabalho dos profissionais – e o restante será repassado pelo do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Até hoje não se criou uma mecanização específica para a cana-de-açúcar. As máquinas atuais são adaptações de equipamentos utilizados na cultura de grãos, que tem uma área plantada em todo o mundo 35 vezes maior que a cana. Precisamos criar um conceito eficiente de mecanização apto a lidar com grandes volumes de biomassa como exige a agricultura de cana”, afirma o diretor do Programa Agrícola do CTBE, Oscar Braunbeck.
Outro benefício da ETC é que ela deve possibilitar a implantação do sistema de plantio direto nas lavouras de cana, o que dispensa ações de preparo do solo para o plantio. Braunbeck explica que esta estratégia trouxe aumento de produtividade e outros ganhos às culturas de cereais desde a década de 70, mas que em cana não pode ser introduzida até hoje por falta de maquinário agrícola específico.
Os representantes do Conselho Administrativo da Jacto se reuniram no CTBE na manhã de sexta, onde conheceram os Programas e instalações de pesquisa do Laboratório e assinaram o contrato de financiamento junto ao BNDES. Martin Mundstock, presidente da Jacto, diz que o Programa do CTBE chamou a atenção da empresa devido às diversas inovações presentes em seu escopo. “A ETC traz competitividade ao setor. Assim que conseguirmos superar os desafios tecnológicos envolvidos e comprovar os benefícios do equipamento, iremos comercializá-lo”, afirmou Mundstock.
A visita da Jacto ao CTBE terminou no Laboratório de Protótipos Agrícolas onde testes com um protótipo de frente de colheita diferenciada estão em andamento. A expectativa é que tal inovação diminua a perda de biomassa proveniente da quebra da cana no momento da colheita de 10% para menos de 5%. Os experimentos são realizados em conjunto com a Agricef. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Usina da Pedra também participam do Programa.