|
25/11/2010 - 16:55
Minas Gerais lançou nesta quinta-feira (25), na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte, seu Núcleo de Inovação. O núcleo é uma ação da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), iniciativa da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) para dobrar, em quatro anos, o número de empresas inovadoras no País.
“Este é um tema importante para o empresário mineiro. Temos certeza de que o senhor será uma das pessoas que nos ajudará nessa nova missão. O empresariado mineiro vem aqui cumprimentá-lo pela maneira com que tem apoiado o segmento industrial do País”, disse o presidente da Fiemg, Olavo Machado, dirigindo-se ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
O diretor de Operações da CNI, Rafael Lucchesi, ressaltou o papel fundamental da inovação na agenda de competitividade das empresas, e da importância do empresariado na implementação desta agenda. Lucchesi também lembrou os diversos fatores que podem contribuir para o sucesso deste objetivo, como facilitar o acesso ao crédito e ter a preferência nas compras do governo. “Nossa meta é desafiadora: dobrar o número de empresas inovadoras no País. Mas é um objetivo totalmente factível. Para isso, vamos criar uma agenda de ganho de produtividade para as pequenas e médias empresas. E sensibilizar a direção das indústrias para a importância da inovação”, afrimou Lucchesi.
Marco regulatório Os instrumentos que estarão disponíveis com a instalação dos Núcleos de Inovação foram relacionados pelo secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Elias. Alguns deles foram criados para promover maior integração entre os diversos níveis de governo, a iniciativa privada, universidades e centros de pesquisa. Elias também comparou os mecanismos atuais de incentivo à inovação com os existentes há alguns anos, e apontou alguns problemas. “Se antes não tínhamos marco regulatório e recursos, hoje temos. Certamente, temos que melhorar a comunicação e a burocracia. Muitos não sabem da existência desses incentivos ou de como ter acesso a eles”, explicou Elias.
A demora do setor privado brasileiro em adotar a estratégia de inovação decorreu das três décadas de instabilidade macroeconômica no País, analisou Luciano Coutinho. Os empresários não tinham como enxergar a economia em longo prazo, quanto mais assumir os riscos que a inovação nos negócios traz.
Coutinho também listou os setores cuja capacidade de crescimento o fazem crer no potencial de desenvolvimento de Minas e do Brasil. “Temos que fazer investimentos em petróleo e gás, em energia – estamos construindo três das maiores hidrelétricas do mundo - e construção civil. Aprendemos com nossos erros em macroeconomia. Há hoje uma capacidade do Brasil de sustentar esse crescimento que é reconhecida por todos”, disse Coutinho.
Em seguida, ele enumerou as características do parque industrial mineiro que podem lhe trazer vantagens na disputa pelo mercado. Uma delas é a diversidade. O presidente do BNDES citou as indústrias siderúrgica, metalúrgica, mecânica, química e a agroindústria, instaladas em Minas, para confirmar sua ideia. “Trata-se de uma indústria de tradição e que neste momento tem tido um crescimento muito forte, no qual destaco as pequenas e médias empresas. Também temos registrado uma resposta muito forte no setor de agronegócio”, analisou Coutinho.
O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, reafirmou seu compromisso com o aumento da competitividade da indústria nacional, cujo ponto principal é o incentivo à inovação. Ele citou o contrato assinado com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), cujo montante de R$ 50 milhões será investido na implementação de 20 a 27 Núcleos de Inovação no País. “Estamos comparando o nosso trabalho de incentivo à inovação com o movimento em prol da qualidade, que mobilizou a indústria há algum tempo. E que trouxe aumento da participação do Brasil não só no mercado nacional como no internacional”, avaliou Andrade.
Também participaram do evento o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Portugal; o presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras, Carlos Calmanovici e o ex-ministro da Indústria e Comércio, João Camilo Penna.
|