O Instituto de Gestão de Águas e Clima da Bahia (Ingá) concluiu que são normais os teores de urânio presentes na água dos poços da região de Caetité e recomendou à Prefeitura que libere os poços que foram interditados em novembro de 2009. Em nota técnica datada de 14 de abril e só agora divulgada, o Ingá informa que a radiação natural nas águas é “condição normal na região”.
Nos municípios de Caetité e Lagoa Real, situados no sudoeste da Bahia, encontra-se uma das maiores reservas brasileiras de urânio. É nesta região, considerada uma província uranífera, que as Indústrias Nucleares do Brasil (INB/MCT) exploram a única mina de urânio do País, extraindo e processando o minério que é utilizado para abastecer as usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ).
No final de 2009, a partir de denúncias sem base técnica, feitas por grupos ambientalistas, o Ingá interditou poços na região. Em março último, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT) informou ao Ingá que “os estudos do sistema hidrogeológico e da distribuição de radioatividade na região mostram que a ocorrência do urânio nas águas subterrâneas é natural, não podendo ser atribuída às atividades de mineração e beneficiamento de urânio”. A entidade assegurou que o teor de urânio na água não justificava o fechamento dos poços.
A nota técnica do Ingá libera para consumo a água dos oito poços interditados, localizados em Caetité, Lagoa Real e Livramento de Nossa Senhora. Só um poço, situado no distrito de Juazeiro e que há 10 anos está fechado por decisão da área de proteção radiológica da INB, continuará interditado. Ele é utilizado apenas para monitoramento dos níveis de urânio em sua água.