A partir deste segundo semestre, a comunidade acadêmico-científica passa a contar, anualmente, com cerca de 80 dias para atividades e projetos de pesquisa no mar. Esta é a principal missão do Navio Hidroceanográfico (NHo), Cruzeiro do Sul, que foi modernizado e equipado para apoiar estudos nas áreas de hidrografia, oceanografia física, química, biologia e meteorologia.
O navio (de 65 metros) foi apresentado à comunidade científica em março de 2009 e adquirido com recursos (R$ 15 milhões) do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT). Incorporado à Marinha do Brasil (MB), via Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), o Cruzeiro do Sul representa um primeiro passo para o estabelecimento de um Laboratório Nacional Embarcado.
“O emprego do NHo viabiliza estudos das interações entre processos biológicos, químicos e físicos que ocorrem no Atlântico Sul, podendo ser estudados vários aspectos do meio ambiente oceânico, tais como a dinâmica das águas superficiais e profundas, níveis da produção biológica, trocas de gases entre oceano e atmosfera e as consequências das mudanças ambientais para os ecossistemas e a biodiversidade”, esclarece a coordenadora para Mar e Antártica do MCT, Maria Cordélia Machado.
Segundo ela, as comissões visam obter conhecimento privilegiado do ambiente marinho oceânico, incluindo o Brasil no seleto grupo de países que realizam pesquisas oceanográficas de caráter global. Entre os oceanos, o Atlântico é considerado especial pelo fato de absorver a maior parte do gás carbônico (CO²) de origem antrópica (proveniente da ação humana).
“Apesar de sua importância, este oceano permanece amplamente desconhecido, sobretudo pela carência de observações e de monitoramento apropriado das enormes áreas marítimas, que englobam o Oceano Atlântico Sul, Atlântico Tropical e pelo setor Atlântico do Oceano Austral”, sustenta a doutora
em Oceanografia Biológica.
Expedição África
Os projetos que necessitam de dias de mar são avaliados e priorizados por um comitê científico e, posteriormente, as comissões de apoio são planejadas por um comitê gestor, composto por representantes da MB e do MCT.
O uso compartilhado do Cruzeiro do Sul foi posto à prova na 1ª Campanha Transatlântica Brasil-África, realizada entre outubro e dezembro passado. Nessa comissão, o navio realizou dois perfis oceanográficos ao longo do Atlântico Sul, atracando
em Cape Town (África do Sul) e Walvis Bay (Namíbia).
Foram propostos e aceitos 11 projetos científicos, envolvendo diretamente 10 universidades e institutos de pesquisa e mais de 50 pesquisadores.
Nova temporada
Para 2010, cinco projetos já são apoiados pela DHN. O Navio Cruzeiro do Sul, durante a missão oceanográfica de um dos projetos, esteve aportado em Natal (RN) e pode ser visitado na 62ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em julho último. Para 2011, as propostas já são avaliadas pelo Comitê Científico.
As regras e o calendário, referentes a 2012, para a apresentação dos projetos a serem apoiados por comissões do NHo Cruzeiro do Sul, no escopo do convênio MCT-MB, serão disponibilizados em breve na página do MCT: https://www.mct.gov.br/mar