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Ciência e tecnologia são aliados para combater a bioinvasão
28/07/2010 - 17:29

Utilizada por navios para dar estabilidade durante viagens, a água de lastro pode se tornar vilã de ecossistemas marinhos. Assim que as embarcações chegam ao porto, essa água é despejada no local e pode disseminar espécies potencialmente perigosas. Em alguns casos, esses seres vivos alteram o equilíbrio ecológico do País.

A bioinvasão, como é conhecida, também pode afetar a economia de uma cidade. “Um local com um turismo forte geralmente é o que mais sofre. Existem espécies que liberam toxinas deixando o lugar impróprio para o banho”, alertou a professora do Laboratório de Genética Marinha da Universidade Federal Fluminense (UFF), Rosa Cristina de Souza.

De acordo com o pesquisador do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM/MB), Flavio da Costa Fernandes, cada porto tem formulários para informar o quanto de água foi liberada no local. “Temos vários portos no Brasil e apenas três pessoas para analisar esses dados. Com mais profissionais especializados podemos agilizar esse processo e saber o quão está ameaçado cada porto”, afirmou.

Enquanto uma convenção que determina regras para o despejo da água de lastros não entra em vigor, a ciência e a tecnologia são os principais aliados no combate à bioinvasão. Estudos da propriedade de cada tipo de oceano ajudam a planejar uma estratégia para o despejo da água de lastro. “Organismos que vivem em águas mais salgadas e com temperatura mais baixa dificilmente sobreviveria no nosso oceano”, explicou Fernandes.

As autoridades marítimas brasileiras possuem um controle rígido do despejo dessas águas em áreas costeiras. A professora da UFF disse aos participantes da 62ª reunião da SBPC que o Brasil sofre com algumas espécies que se alojaram nas águas do País graças ao despejo inadequado da água de lastro.

O exemplo mais clássico é o do mexilhão dourado que veio da China e da Coreia. “Ele entrou pelo Rio Prata e já chegou à Argentina e ao Uruguai. Para se ter idéia do problema que ele causa, as turbinas da usina de Itaipu precisam ser desligadas com alguma freqüência para que sejam retirados os mexilhões que ficam lá dentro”, disse.

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