Divulgação/MCT - A pesquisadora da Universidade de São Paula, Ilana Wainer
A ciência brasileira está na dianteira das pesquisas sobre o comportamento dos oceanos no Planeta. A professora Ilana Wainer, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) foi nomeada vice-presidente do Comitê Científico de Pesquisa Oceânica (Scor, na sigla em inglês), apontada como uma das instituições internacionais mais importantes na área.
A especialista em interação oceano-atmosfera e clima é bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
A oceanógrafa também integra outros comitês de direção como o do Programa Mundial de Pesquisa Climática e do Sistema de Observação Global do Clima; além de participar, como especialista em oceanografia física, de grupo de trabalho do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica.
Para Ilana, o novo posto que assume permite ao Brasil mais envolvimento nas discussões de temas de ponta na fronteira da ciência oceanográfica. “Estaremos participando diretamente da definição dos rumos da pesquisa oceanogáfica internacional, podendo opinar sobre questões que a comunidade brasileira, em particular, julgue ser relevantes”, ressalta.
No Brasil, Ilana coordena os estudos do Laboratório de Oceanografia Física, Oceano, Clima e Criosfera do Instituto Oceanográfico da Universidade da USP.
O grupo, entre outros trabalhos, vem analisando o impacto do aumento na concentração dos gases relacionados ao efeito estufa, da época pré-industrial para os dias atuais, no comportamento na circulação oceânica em várias escalas.
Os oceanos Austral e Atlântico Sul, em particular, são objetos de maior interesse; uma vez que estes influenciam diretamente no clima do Brasil. Para isso, os pesquisadores utilizam modelos acoplados de circulação geral, regionais e a avaliação de dados coletados. Outro aspecto importante estudado é a analise glacioquímica para o entendimento da variabilidade do gelo marinho e a produtividade primária oceânica na região da Península Antártica.
Scor
O reconhecimento de que as questões científicas sobre o oceano, muitas vezes, requerem uma abordagem interdisciplinar, levou o Conselho Internacional para a Ciência formar o Comitê Científico sobre Pesquisa Oceânica em 1957.
A entidade centra suas atividades na promoção da cooperação internacional no planejamento e na realização de pesquisas oceanográficas; e em resolver os problemas conceituais e metodológicos que dificultam a investigação. Trinta e seis nações formaram comissões nacionais Scor para interagir com Scor internacional. Cerca de 250 cientistas em todo o mundo participam das atividades.
Os grupos de trabalho geralmente são formados por mais de 10 membros para deliberar sobre um assunto estritamente focado e relatar seu trabalho em publicações ou em banco de dados. Ilana lembra que a participação brasileira no comitê não é novidade, ela mesma já fez parte da entidade, como co-opted member (uma espécie de membro "emprestado").
“Outros pesquisadores também atuaram ou participam de grupos de trabalho do Scor. Na verdade, a participação dos pesquisadores de alto nível do Brasil vem mostrando que já temos grande maturidade científica e independência acadêmica de forma a contribuir para os objetivos do comitê”, salienta a pesquisadora.