Divulgação/CDTN - Perfuração para análise de região do Guarani.
O Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), teve papel significativo para a realização dos estudos do Aquífero Guarani (entre 2003 e 2009); apontado por grande parte da comunidade científica como um dos maiores reservatórios de água subterrânea do Brasil e do mundo (com 1,1 milhão de km² quadrados de extensão); distribuído, principalmente, pelo território brasileiro, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Os aquíferos são considerados formações rochosas capazes de armazenar e de transmitir quantidades variáveis de água. Tendo em vista a importância estratégica, social e econômica do reservatório para os quatro países e considerando a possibilidade da ocorrência de super exploração e de contaminação e/ou poluição de suas águas, os governos detentores da reserva lançaram as bases para o desenvolvimento conjunto do projeto de Proteção Ambiental e Gestão Sustentável do Sistema Aquífero Guarani.
No Brasil, a coordenação nacional do projeto ficou sob a responsabilidade da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O CDTN, subordinado à Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen/MCT), atuou de forma técnica por meio do diagnóstico em áreas específicas.
Segundo o pesquisador Virgílio Bomtempo, do Serviço de Meio Ambiente do CDTN, um marco importante desse projeto do Banco Mundial foi a realização de um encontro de trabalho, em 2001, na unidade do CDTN, em Belo Horizonte (MG), envolvendo a participação de especialistas em hidrogeologia e hidrologia dos quatro países.
“A reunião serviu para definir as bases do projeto e avaliar, tendo em conta os dados isotópicos já existentes, a sequência de ações a tomar; incluindo os locais, as amostras e as técnicas a serem efetivamente utilizadas”, informou Bomtempo.
Inicialmente, o CDTN coordenou o levantamento e interpretação de dados e participou efetivamente da elaboração de termos de referência para a contratação de estudos de caracterização isotópica. O centro também participou de diversos comitês de assessoramento e, hoje, ainda fornece suporte técnico na elaboração de modelos matemáticos.
As técnicas isotópicas vêm sendo desenvolvidas por especialistas e estudiosos dos problemas hidrológicos nos últimos 50 anos. Trata-se de um conjunto de ferramentas que, aplicadas em harmonia com técnicas convencionais consagradas, como a piezometria e a hidrogeoquímica, permitem estudar e compreender as diversas variáveis envolvidas nos problemas de caracterização de corpos de água em geral.
Diagnóstico local
O trabalho do CDTN mais direcionado foi realizado, no período de 2004 a 2006, em Araguari (MG), com a participação de universidades e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas. Situada no limite nordeste do Sistema Aqüífero Guarani (SAG), a área de estudos está posicionada entre os rios Araguari e Paranaíba (afluente da margem esquerda do rio Paraná).
Conforme documento elaborado pela equipe do centro, o suprimento de água da região da chapada, onde vive a quase totalidade da população, é, sobretudo, de origem subterrânea, extraída de poços no aqüífero Bauru, para o abastecimento público, irrigação e uso industrial.
A preocupação com as perfurações ilegais e com a falta de dados sobre os recursos hídricos impulsionaram os trabalhos do órgão ligado ao MCT; avaliação também estendida a outros reservatórios da região. Para isso, foram realizadas duas campanhas de coleta de amostras com a finalidade de se obter a caracterização hidroquímica da água.
“Foram amostrados 51 pontos de água, dentre poços profundos e rasos, nascentes, cursos d’água, lagos e barragens. Em cada um desses pontos foram feitas medições de parâmetros de campo, bem como coletadas amostras para análises físico-químicas e isotópicas, a serem realizadas em laboratório”.
Na avaliação dos pesquisadores, a experiência trouxe resultados positivos e importantes nos aspectos: técnico-científico, acadêmico e social. “No primeiro caso, a aplicação de avançadas técnicas de estudo sem precedentes na área e a modificação de metodologias já existentes, propiciaram ganhos de informações relevantes para o gerenciamento dos recursos hídricos na região de Araguari”.
No campo acadêmico, “o projeto propiciou a formação de alunos em nível de pós-graduação e, no campo social, verificou-se um envolvimento direto de diversos setores da sociedade no fornecimento de apoio logístico, disponibilização de informações e participação de leituras das redes de monitoramento instaladas”.
Com informação do MMA e da Fundação Amparo e Apoio à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig)