Crédito: Ricardo Lemos (MCT) - Estratégias e Padrões de Financiamento Público e Privado
Apesar dos incentivos proporcionados pela legislação (Lei do Bem e Lei da Inovação), da atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e do apoio das agências de fomento e pesquisa e do aumento de recursos no orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o investimento em C&T ainda é insuficiente para estimular de forma mais ampla a inovação.
O País destina 1% do seu PIB (Produto Interno Bruto) para a área, enquanto países mais desenvolvidos, como Japão, Estados Unidos, Alemanha e Coréia do Sul; direcionam de 2,5% a 3% das suas riquezas para essa finalidade.
Os dados foram apresentados hoje (27) pelo presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Mário Neto Borges, durante a sessão paralela “Estratégias e Padrões de Financiamento Público e Privado”, na 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia (4ªCNCTI), em Brasília.
Murilo Guimarães, da diretoria de inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), relatou as modalidades oferecidas pela agência para viabilizar a inovação nas empresas (subvenção econômica, crédito reembolsável, etc). “O desafio é buscar novos mecanismos para incentivar a inovação nas empresas”, provocou.
Segundo o relator do painel, Mário Borges, a produção científica brasileira é forte e crescente, mas o desenvolvimento se esbarra na falta de tecnologia e de inovação necessária. Entre os entraves neste processo, ele citou a burocracia, o arcabouço legal e o pouco diálogo dos órgãos de controle fiscal com os demais atores envolvidos.
Para o diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Júlio Gomes Almeida, o sistema de financiamento em tecnologia no Brasil reproduz o sistema da economia geral. “Nós estamos num momento de apoio importante para o setor, mas não temos mercado de capitais e crédito, a longo prazo nos bancos, para também apoiar as empresas, como acontece nos países desenvolvidos. Para ter sucesso desta forma é preciso reduzir a taxa básica de juros (Selic) abaixo de 8%”, destacou.
O representante da Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIG), Enrique Iglesias, disse que a comunidade tem acordado para a C,T&I, e citou como referência o trabalho realizado pela Finep e pelo MCT. “O estado tem que ter um papel importante nesta área. O mercado não pode fazer isso sozinho. É preciso trabalhar juntos, ter estrutura, recursos humanos”, disse.