Dois dos biomas mais ricos de todo o planeta ganharam destaque na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI). A preservação do pantanal e do cerrado é considerada essencial para que o Brasil continue crescendo de maneira sustentável, ou seja sem destruir os recursos naturais.
O cerrado está presente em 12 estados e ocupa uma área equivalente a 24% do território nacional. Preservar o bioma é importante para manter o abastecimento de oito bacias hidrogáficas. “O cerrado é uma esponja que absorve a água e abastece oito das doze grandes bacias hidrográficas brasileiras. Se perdermos esse bioma as conseqüências serão grandes”, disse a pesquisadora do Instituto Florestal do estado de São Paulo, Giselda Durigan.
Segundo a pesquisadora, que foi palestrante de um dos painéis temáticos da 4ª CNCTI, entre 1950 e 2004, apenas 45% do cerrado continuam preservados. “Se perdermos o cerrado teremos problemas de falta de energia porque não haverá água para as hidrelétricas, teremos problemas de saúde pública porque muitas das plantas são medicinais entre outros”, listou Giselda.
Para manter a diversidade dos biomas foi sugerido na 4ª CNCTI que haja mais investimentos do governo federal em formação de profissionais qualificados e conhecedores do pantanal e do cerrado. “Não adianta haver apenas unidades de conservação se não temos profissionais capacitados quanto mais conhecimento melhor para a preservação e o desenvolvimento sustentável”, disse o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) João Flávio Veloso Silva.
No ano passado, foi anunciada a criação da Rede de Pós-Graduação do Centro-Oeste. Quinze instituições de ensino superior dos três estados e do Distrito Federal vão participar da rede de pesquisa que tem como objetivo aumentar o número de pesquisas sobre o pantanal e o cerrado. A Rede Pró Centro-Oeste vai contar ainda com 452 pesquisadores e 25 instituições públicas e privadas.