Crédito: CNPq - Ao centro, o prof. Cury, acompanhado por sua equipe de trabalho, também responsável pelo reconhecimento
O Prêmio Yngve Ericsson Prize, considerado o “Prêmio Nobel da Odontologia Preventiva”, importante distinção na área de prevenção, no cenário internacional, tem como vencedor o professor Jaime Aparecido Cury, da área de Bioquímica, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT).
A entrega do prêmio será no dia 8 de julho, em Montpellier, França, na abertura do encontro da Organização Européia de Pesquisa em Cariologia (Orca). A premiação, realizada a cada três anos, é entregue a dois pesquisadores. O outro escolhido foi o professor Hanu Hausen, da área de Epidemiologia, da Finlândia. Além do certificado, cada pesquisador recebe US$ 25 mil dólares. Até sua ultima edição de 2007, esse prêmio era entregue em cerimônia realizada no Karolinska Institute, Estocolmo, Suécia, mas a partir deste ano passa a fazer parte da solenidade de abertura do encontro científico da Orca.
Esse prêmio foi criado em 1986 em homenagem ao professor Ingve Ericsson do Karolinska Institute, um dos fundadores da Orca e pesquisador sobre flúor. Os concorrentes são indicados ao prêmio e o professor Cury foi recomendado pelos professores Livia Tenuta , como sócia da Orca, e Francisco Haiter Neto, em nome da diretoria da FOP.
Uma comissão internacional julga os indicados, levando em conta o que realizaram de pesquisas laboratoriais ou clinica de destaque que contribuiuram especificamente para a prevenção de doenças bucais. Os candidatos são julgados pela originalidade, qualidade e abrangência da sua contribuição científica, assim como a abrangência e a importância clinica dos resultados. Concorrem apenas profissionais que estão ativos em pesquisas.
Para Cury, a distinção representa o reconhecimento internacional do trabalho que tem desenvolvido. “Fico mais estimulado a continuar o meu trabalho, pois o prêmio é fonte de energia para a alma do pesquisador desencadeando uma reação em cadeia naqueles que trabalharam ou trabalham comigo. Em acréscimo, esse prêmio é importante não apenas para mim, como para o País, principalmente pelo fato de que, é a primeira vez que a distinção é outorgada a um pesquisador fora do continente Europeu e dos Estados Unidos, mostrando que não somos mais um País dos excluídos”, disse Cury.
Nas edições anteriores foram laureados quatro cientistas americanos e nove europeus (um dinamarquês, um finlandês, um holandês, dois noruegueses, dois suecos e dois suíços).
Cury, formado pela FOP, buscou na sua carreira acadêmica formação em área básica tendo feito mestrado e doutorado em Bioquímica. Essa formação sempre o ajudou a desenvolver e aprofundar em pesquisas de como o fluoreto age nos mecanismo de ação anticárie. Em sua carreira, em vários momentos participou de discussões nacionais com relação a fluoretação das águas de abastecimento público e com relação a regulamentação da concentração de flúor em dentifrícios. Seus trabalhos e sua atuação tem tido um papel extremamente importante no protocolo de uso de flúor no Brasil, tendo uma importância fundamental no declínio de cárie no País ocorrida nas últimas décadas.
O professor, que é bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq desde 1985, foi presidente da Associação Brasileira de Odontologia Preventiva (Aboprev), de 93 a 95, época em que a organização teve seu auge. Publicou mais de 200 artigos científicos, sendo 150 em revistas internacionais. É autor de nove capítulos de livros, sendo dois internacionais. Foi de 2005 a 2007 presidente do Grupo de Cariologia da international Asssociation for Dental Research (IADR) e representante da Odontologia no CNPq de 1998 a 2001 e de 2004 a 2007. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/2059965853174509