Com o objetivo de coletar mais de 100 mil exemplares de insetos na Amazônia um grupo de 20 pesquisadores participam de 1º a 21 de junho próximo de uma excursão científica pelos rios do Alto Rio Negro.
Sob a coordenação do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), José Albertino Rafael, os cientistas percorrerão os rios Padauari, Aracá e Demini, na margem esquerda do rio Negro para fazer coleta de campo do projeto Amazonas: diversidade de insetos ao longo de suas fronteiras. A atividade tem o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Amazônia (Fapeam) por meio do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex). “Esse projeto permitirá ampliar o conhecimento da diversidade dos insetos da Amazônia”, destaca Rafael.
A expectativa é encontrar inclusive organismos ainda não descritos. Rafael ressalta que há 100% de certeza em encontrar espécies novas. "A Amazônia, especialmente o Amazonas, ainda tem uma fauna de insetos pouco conhecida. Encontramos regularmente espécies novas em qualquer região do estado e muito mais quando percorremos as áreas longínquas, ainda inexploradas. Por isso há a participação no projeto de especialistas de diferentes grupos taxonômicos (grupos para ordenar famílias, gêneros e espécies). Para que grande parte do material possa ser identificado e descrito", frisa.
O projeto tem duração de quatro anos e, até seu término, no final de 2011, está prevista mais uma excursão para chegar às cabeceiras dos rios na fronteira com a Colômbia, na região conhecida como Cabeça do Cachorro, próximo a São Gabriel da Cachoeira, a 852 quilômetros de Manaus.
Metodologia
Para a pesquisa de campo, serão utilizadas dezenas de métodos de coletas de insetos e para isso, mais de 60 armadilhas devem ser montadas, com o objetivo de explorar os hábitats encontrados na área escolhida.
O coordenador da pesquisa explica que serão usadas armadilhas de interceptação de voo de insetos, luminosas que atraem os insetos noturnos, montadas no dossel (copa das árvores), com iscas atrativas, armadilhas adesivas e outras.
Na pesquisa de campo, o grupo enfrentará muitos obstáculos, por conta das áreas de difícil acesso e outras ainda inexploradas do ponto de vista científico. Segundo Rafael, essas áreas só podem ser investigadas na época de enchente dos rios, quando é possível chegar nas cabeceiras dos mesmos e, com isso, alcançar pontos mais próximos das fronteiras do Amazonas com outros estados ou com países vizinhos.
Com informação de Cristiane Barbosa da Agência Fapeam