A desertificação é um conjunto de fatores que gera um “efeito dominó” e, se nada for feito do ponto de vista da elaboração das políticas públicas adequadas, estaremos caminhando para um cenário de êxodo rural e consequente inchação urbana, aumento da violência e aumento de gastos com saúde pública.
A constatação foi tema de discussão entre pesquisadores e estudantes, na mesa redonda Desertificação no Semiárido, realizada nesta quarta-feira (14), na Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Mossoró (RN).
A mesa foi presidida pelo diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCT), Roberto Germano Costa, e composta pelos pesquisadores Ricardo Galvão, da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), Iedo Bezerra Sá, da Embrapa Semiárido, e José Roberto de Lima, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Para estes especialistas, o sistema tradicional de exploração dos recursos naturais no semiárido é danoso por não levar em conta a fragilidade do ambiente, por razões culturais, onde o produtor rural, descapitalizado, é obrigado a realizar agricultura itinerante, utilizando o fogo para abrir novas áreas de exploração. A preocupação é com os resultados dessas ações para as futuras gerações.
“O problema é a ingerência dos recursos hídricos, aliada à ação desregrada do homem e ao desinteresse dos órgãos de financiamento no assunto” , acentuou Bezerra Sá.
Na visão dos pesquisadores, a seca é um fenômeno natural contra o qual não se deve combater e as especificidades da região precisam e devem ser respeitadas, adotando-se um modelo sustentável de desenvolvimento.
“Os governos têm uma bomba relógio nas mãos. Precisamos lembrar que recursos ambientais são finitos e a degradação e salinização de terras, embora reversíveis, são os piores modos de desertificação, porque requerem investimentos altíssimos” , alertou Roberto de Lima.
Para Germano, a pesquisa científica na região ganhou uma nova perspectiva com a assinatura pelos ministros da Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente, Sergio Rezende e Carlos Minc, da portaria interministerial que regulamenta a Rede de Pesquisadores de Combate à Desertificação, em 9 de abril último. “Isso demonstra a sensibilidade do ministro Resende quanto às questões relativas ao Semiárido Brasileiro, além de reforçar a ação de parcerias firmadas entre o Insa, o MMA e outras instituições regionais, com vistas à garantia de uma melhor qualidade de vida para as gerações futuras” , disse Germano.