A formação de pesquisadores especializados na biodiversidade do Cerrado e do Pantanal foi um dos temas principais da abertura oficial da Conferência Regional de Ciência e Tecnologia do Centro-Oeste. O encontro se realizas no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (MT), e termina nesta terça-feira (23).
Os participantes vão propor temas para serem analisados na 4ª Conferencia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que ocorre, de 26 a 28 de maio, em Brasília. O secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antonio Elias, destacou que as particularidades de cada região são importantes para construir uma política pública forte e consolidada. “Não podemos fazer uma política nacional sem conhecer as particularidades e necessidades de cada região. O Plano Nacional de C&T é para todo o Brasil”, disse.
O Cerrado abrange 2.055.034 km², dos quais 57% estão no Centro-Oeste. Já o Pantanal ocupa mais de 60% de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os dois biomas abrigam um rico patrimônio de recursos naturais. O secretário de Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, Chico Daltro, foi categórico: “Aqui [no Cerrado e no Pantanal] temos valores científicos capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável para o País.”
Ontem (21), participantes foram divididos em quatro grupos. Na tarde desta terça-feira será elaborado o documento com as propostas finais do evento. Para o secretário de Ciência e Tecnologia de Goiás, Joel Braga Filho, o diferencial do Centro-Oeste são os biomas. “Esperamos levar o que é de mais importante para o uso sustentável do Cerrado e do Pantanal em prol da CT&I nacional. Para isso, precisamos de profissionais capacitados e conhecedores da nossa biodiversidade”, avaliou.
Rede Pró Centro-Oeste
O secretário executivo Luiz Elias, lembrou que o governo investe na formação de profissionais qualificados e especializados no Cerrado e no Pantanal. Em 2009 foi criada a rede Pró Centro-Oeste de pós graduação, pesquisa e inovação.
Quinze instituições de ensino superior dos três estados e do Distrito Federal participam da rede de pesquisa que objetiva aumentar o número de estudos sobre os dois biomas. A Rede Pró Centro-Oeste terá ainda 452 pesquisadores e 25 instituições públicas e privadas. Outro destaque do projeto é aumentar a quantidade e a qualidade das teses e dissertações acadêmicas sobre biotecnologia e geodiversidade e biodiversidade dos biomas.
Histórico
A 1ª. Conferência Nacional ocorreu em 1985, e buscou discutir com a sociedade as políticas para a área, de modo a subsidiar as ações do recém-criado Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Dezesseis anos depois, em 2001, realizou-se uma 2ª. edição, já com o nome de Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Foi nessa oportunidade que se discutiu em profundidade o novo modelo de financiamento, baseado nos Fundos Setoriais, posto em prática a partir de 1999, que viria a ter enorme impacto sobre a ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) do País.
A 3ª. Conferência foi em 2005, com o intuito de demonstrar que C,T&I são ferramentas essenciais e indispensáveis para o desenvolvimento do Brasil. A 4ª edição foi convocada por Decreto Presidencial de 3 de agosto de 2009, com o título Política de Estado para Ciência, Tecnologia e Inovação com vista ao Desenvolvimento Sustentável.
Essa última deve nortear suas discussões segundo as linhas do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional 2007-2010 (PAC,T&I): Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; Inovação na Sociedade e nas Empresas; Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Áreas Estratégicas e Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Social.
Na semana passada, Belém (PA), sediou o encontro da Região Norte. A conferência do Centro-Oeste é a segunda no calendário. Porto Alegre (RS), sedia o evento da Região Sul também nesta semana (dias 25 e 26). Na sequência, ocorre em Vitória (ES), nos dias 30 e 31, a Conferência Regional do Sudeste. Por fim, Maceió (AL), sedia o encontro regional do Nordeste, dias 15 e 16 de abril.