Gustavo Tílio/MCT - Tânia Dominique teve que fazer vários cursos no exterior até chegar ao Laboratório Nacional de Astrfísica, em Itajubá, Minas Gerais.
Como ocorre em vários setores da sociedade e em grande parte do mercado de trabalho no Brasil, as cientistas ainda enfrentam dificuldades para seguir com a carreira. Os obstáculos são diversos, mas não impedem a superação dos desafios e os exemplos de sucesso.
Tânia Pereira Dominici, astrônoma do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Itajubá (MG), na adolescência já sabia o queria ser, uma cientista. Ela começou um programa de visitação em universidades até definir em que área entraria. Hoje, ela trabalha com astronomia observacional, instrumentação, suporte aos usuários e á comunidade astronômica e é gerente do observatório Pico dos Dias, que é o maior telescópio do Brasil.
Tânia diz das dificuldades da caminhada para o sucesso na ciência. Da participação pequena das mulheres. Em particular na astronomia as mulheres são pouco representadas. Para ela, é necessário colocar a carreira científica como uma opção para as mulheres. Em sua área, passou por algumas faculdades no exterior, até se consolidar no LNA.
A cientista acredita em políticas públicas para informar todos os aspectos de sua área de formação, pois no caso dela como astrônoma, tem que ter disponibilidade de morar no exterior até se estabilizar em algum instituto. Na astronomia levam-se pelo menos 10 anos para se fixar em algum laboratório.
Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) mostram que apenas 34% das mulheres chegam ao topo da carreira científica. Os diagnósticos divulgados concluíram que os níveis mais altos da bolsa de Produtividade e Pesquisa, do CNPq, estão em sua maioria com pesquisadores do sexo masculino, enquanto nos níveis iniciais da carreira, o número de mulheres é bem mais expressivo, ou seja, as cientistas desistem de prosseguir com seus estudos.
Para Wrana Panizzi, vice-presidente do CNPq, a imagem do cientista ainda está vinculada ao sexo masculino. Para ela, um forte investimento em políticas públicas é um fator capaz de mudar a visão das mulheres e incentivá-las nas carreiras científicas.
O CNPq tem um programa chamado Mulher Ciência. Ele visa difundir a carreira científica das mulheres. Existe também um conjunto de ações para incentivá-las. Um exemplo que tira as mulheres do circuito científico é a maternidade, e nesse aspecto o CNPq tem uma ação que prorroga o prazo das bolsistas para que não haja desistência na conclusão das pesquisas afetando, consequentemente, o desenvimento da carreira.
Para Wrana é necessário ampliar a visibilidade das cientistas que trabalham para a evolução científica das mulheres brasileiras. Lutar pela legitimidade dos trabalhos desenvolvidos e se destacar no mundo científico.