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CPTec modernizou a meteorologia do País nos últimos anos
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Divulgação/CPTec - Imagem de satélite para a previsão de tempo no País.
24/11/2009 - 08:05

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) comemora hoje (24) os 15 anos do seu Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTec) em evento às 14h, em Cachoeira Paulista (SP), onde está instalado o Centro.

Em 1994, a meteorologia nacional deu um salto de qualidade, com a introdução da modelagem numérica do tempo pelo Inpe, fazendo uso de um potente supercomputador para os padrões da época. O Brasil passaria a fazer parte de um seleto grupo de países que passaria a gerar previsões de tempo a partir de modelos processados em máquinas de alto desempenho computacional.

Da inauguração do CPTec até hoje, a confiabilidade das previsões de tempo aumentou, ultrapassando os 90% de acerto para três dias. A qualidade das previsões também melhorou. Hoje, é possível fazer previsões para a América do Sul com modelos regionais de alta resolução espacial, de 15 quilômetros quadrados, que detalham as condições meteorológicas para localidades próximas. O acesso crescente à home page das previsões de tempo por cidade, com quase 30 milhões de visitas neste ano, demonstra a força dos desenvolvimentos do CPTec.

Apesar desta grande evolução em tão pouco tempo, o CPTec bem como todo o sistema nacional de meteorologia, segundo o coordenador do Centro, Luiz Augusto Machado, enfrenta novos desafios. Os desastres naturais - relacionados ao excesso ou à escassez de chuva, vendavais, tornados, tempestades, entre outros eventos – estão impondo uma nova demanda de recursos e produtos meteorológicos que deverão atender a uma série de necessidades, uma delas o planejamento de ações de mitigação a possíveis impactos destes eventos às populações em áreas de risco.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a estimativa é de que os prejuízos provocados por desastres naturais no mundo, relacionados ao tempo, clima e água, são da ordem de US$ 100 bilhões por ano, provocando 100 mil mortes. A entidade ligada a ONU afirma que os estragos seriam maiores sem os atuais serviços meteorológicos.

A OMM calcula ainda que 30% da economia dos países desenvolvidos e industrializados são suscetíveis os desastres naturais, índice que se amplia nos países em desenvolvimento, como o Brasil, cuja base econômica está centrada nas atividades agrícolas.

Por outro lado, defende Machado, “os ganhos proporcionados pela boa qualidade dos produtos da meteorologia são expressivos e podem alcançar níveis mais altos com o contínuo investimento na área”. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que completa neste mês 100 anos de fundação, o uso das previsões de tempo representa hoje um ganho de US$ 2 bilhões para a economia do País. Deste total, estima-se que US$ 650 milhões são obtidos só na agricultura, que faz um uso intensivo das previsões para o planejamento das  etapas do ciclo dos produtos agrícolas.

Segundo Eduardo Assad, chefe da Embrapa Informática Agropecuária, o acompanhamento das previsões é considerado estratégico à aplicação de defensivos agrícolas e fungicidas, implementada de acordo com condições meteorológicas específicas. De acordo com o pesquisador, as perdas na agricultura devido aos extremos meteorológicos ultrapassam os U$ 20 bilhões por ano no País.

Investimentos
Para o CPTec, os investimentos para os próximos anos devem ocorrer nas seguintes áreas: atualização do supercomputador; desenvolvimentos de assimilação de dados (aos modelos de previsão), com reforço de recursos humanos e desenvolvimentos computacionais; maior uso de satélites meteorológicos; e ampliação e integração de um sistema de radares meteorológicos.

O Centro coordenou a elaboração de um projeto para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) que prevê a implementação de um sistema de radares cobrindo boa parte do território nacional. Os radares são essenciais para o acompanhamento de sistemas convectivos e, portanto, na prevenção de desastres naturais, por excesso de chuva.

De acordo com o coordenador do CPTec, os principais desafios colocados para os próximos anos são: aperfeiçoar a assimilação de dados; melhorar a confiabilidade das previsões climáticas sazonais para até três meses; desenvolver a previsão em alta resolução, incluindo a descrição da microfísica das nuvens e acoplar os modelos oceânicos, hidrológicos e químicos ao modelo de previsão de tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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